Problemas relacionados à alimentação no século XXI

Enviada em 28/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista que, segundo o jornal BBC, no Brasil mais de 52% da população encontra-se acima do peso ideal. Esse quadro nocivo ocorre não só devido à falta de criticidae da população, mas também em razão da omissão estatal em cumprir sua função.

Nesse sentido, é válido destacar a ausência de reflexão crítica do corpo civil como fator expressivo na escolha da má alimentação. Nessa lógica, a socióloga francesa Simone Beauvoir afirma que “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele”. Essa máxima pode ser facilmente aplicada ao modo de alimentação aceito pela população em função das exigências da vida moderna, a qual usa-se de propagandas para persuadir o cidadão a acreditar que não tem tempo para cozinhar e, assim, deve submeter-se à compra de comidas altamente processadas. Observa-se, por esse ângulo, infelizmente, que há uma aceitação, pela sociedade, de dietas ricas em açúcar e em sódio, por serem rápidas e por contemplarem o estilo de vida atual. Dessa forma, nota-se que, embora haja um expressivo aumento de problemas relacionados à alimentação desequilibrada, como a obesidade e infarto, os índices de péssimos hábitos alimentares aumental, de acordo com o jornal CNN. À vista disso, percebe-se uma normalização não crítica, pelos cidadãos, de uma alimentação nociva à saúde.

Além disso, é imprescindível salientar a omissão da esfera pública em exercer ações que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar bem-estar. Diante disso, a ausência de campanhas governamentais de conscientização sobre a importância de uma ingestão saudável de alimentos mostra-se como uma atitude pouco moral ao equilíbrio social, dado que o Estado, que deveria zelar pelo bem social, alhea-se a exercer a sua função. Desse modo, os cidadãos sofrem a imposição de um estilo alimentício moderno sem ter um governo que intervenha e o proteja.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de campanhas educativas em TV aberta, promover a conscientização dos cidadãos quanto a importância de uma alimentação saudável, com o objetivo de suscitar a mentalidade crítica dos indivíduos e reduzir a arbitrariedade de propagandas sobre as suas escolhas. Dessa maneira será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.