Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?
Enviada em 12/09/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da falta de preservação da floresta amazônica. Sob tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também a praxe criminosa do desmatamento.
Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à jurisprudência ambiental e a escassez de medidas que prezem o desenvolvimento sustentável fomentam a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias G1, os quais apontam que em Janeiro de 2019 os desmatamentos aumentaram em 82% se comparados ao mesmo período de 2018, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações políticosociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população, sobretudo aos países compartilhadores do bioma amazônico.
Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. Consoante a terceira lei de Newton, toda ação gera uma reação de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, a ação do homem provoca reações em cadeia que trazem consigo problemas à sociedade e ao ecossistema. Em síntese, os desmatamentos proporcionam a devastação do habitat natural dos animais, já na vida em sociedade a fumaça, oriunda das queimadas, ocasionam o surgimento de doenças respiratórias como a asma, além disso, elas são as responsáveis pelos grandes períodos de seca nas demais regiões do país. Dessa forma, medidas são necessárias para reverter essa realidade.
Logo, para que o triunfo sob a falta de preservação ambiental seja consumado, urge que o Ministério do Meio Ambiente, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a instalação de centros de vigilância nas áreas em risco de desmatamento, de modo a investigar e apreender os indivíduos que perpetram a destruição da floresta. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a implementação de câmeras de videomonitoramento, com o fito de agilizar o processo investigativo. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada no desenvolvimento de campanhas publicitárias com o objetivo de informar à população sobre os males que a devastação ambiental causará na vida das futuras gerações. Dessarte, a pedra drummondiana moderna poderá ser removida do caminho social.