Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 30/08/2019

Já na descoberta portuguesa do Brasil, as cartas de Pero Vaz de Caminha, escrivão da tripulação lusitana, já atestavam a grandiosidade das matas desse locais. No entanto, hoje, após várias intervenções atrópicas nocivas, a Floresta Amazônica está ameaçada devido ao desmatamento e à agropecuária. Diante disso, torna-se passível de discussão o dever de proteção nacional e internacional desse ecossistema.

Em primeira análise, o Brasil é recordista em desflorestamento. Segundo dados do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), chegou a eliminar o equivalente a mais de 14 campos de futebol nas regiões norte e centro-oeste e esse número não para de crescer. Isso associado às queimadas desse banco biogenético (o maior do mundo) resulta em uma enorme perda da flora e da fauna e, ainda, desaloja e mata centenas de nativos. Além disso, a floresta gera os rios voadores (umidade do ar) que são responsáveis pelas chuvas do sudeste e, também, como visto recentemente em São Paulo, propiciam os “smogs” (nuvens de poluição) devido ao incêndio da área. Desse modo, é nítido que essas matas são importantes não só para o país, mas para o mundio e que ela é mais valiosa saudável do que destruída.

Somado a isso, essa deterioração contribui para o aumento de terras sem vegetação, o que agrava a expansão da fronteira agropecuária. A plantação de soja não é ecológica, os nutrientes locais são retirados ao máximo e essa terra é abandonada posteriormente a colheita. Ademais, o gado criado solto culmina na compactação do solo e faz com que ele se trone improdutivo. Dessa forma, é notório que o panorama agropecuários precisa implementar  medidas sustentáveis.

Fica evidente, portanto, que o atual cenário da região norte precisa de intervenções benéficas mundial, pois todos têm muito a perder com ele. Para isso, os países devem ajudar financeiramente, como a Alemanha e a Noruega faziam e, com esses recursos, o Estado pode controlar e monitorar as queimadas e o desmatamento ilegal. Além disso, ele deve colocar em pauta, para discussão com a bancada ruralista do senado, a possibilidade deles aderirem ao sistema de cultura rotativa da soja e produção intensiva do gado para evitar o desgaste e a compactação do solo. Assim, a situação da Floresta Amazônica seria atenuada e com o auxílio de ONG’s (Organizações Não Governamentais) nacionais e internacionais, esse ecossistema se restauraria e voltaria a ser uma parcela da exuberância descrita nas cartas de Caminha.