Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 01/10/2019

A loucura como herança

O personagem Coringa, vivido por Heath Ledger no filme “Batman: o Cavaleiro das Trevas”, abandona sua sanidade mental para vislumbrar que o caos e a desordem, adquiridos hereditariamente pela humanidade, atestam uma forma de loucura social oculta. Exterior à ficção, o Brasil também vive essa realidade, tendo em vista que o cenário de acomodação relativa ao crescente desmatamento da Floresta Amazônica, feito pelos próprios brasileiros, corrobora para um contexto em que, mesmo com toda a obviedade sobre a necessidade de enfrentamento à problemática, o impasse continua invisível a muitos brasileiros.

Por esse ângulo, convém analisar que a insuficiente participação cidadã no combate ao desmatamento na Amazônia, ratificado pela não reconhecimento da importância da biodiversidade botânica para a produção de medicamentos para os próprios seres humanos e para a redução do efeito estufa, afirmam que os os brasileiros estão sendo espectadores passivos da problemática. Isso, tocante ao livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, o qual expele a reflexão de que, ainda que o problema esteja em sua frente, o ser humano está acostumado a não enxergá-lo, reforça a percepção do Coringa e a indispensabilidade de se habilitar o indivíduos ao exercício ativo da cidadania.

Notabiliza-se, também, que muitas pessoas possuem informações sobre a importância da Amazônia para a vida humana, mas não praticam ações em conformidade com esses conhecimentos por conta de tal acomodação relativa ao problema. Essa circunstância, sob a perspectiva de Pedro Calabrez, neurocientista contemporâneo, que assevera que a estrutura cerebral humana condiciona o indivíduo a conservar comportamentos, a não ser que haja um esforço perpétuo e habitual para a superação desses, permite perceber que a questão do desmatamento na Floresta Amazônica também está unida à conformização dos maus hábitos sociais.

Perante exposto, cabe aos prefeitos dos municípios brasileiros a promoção de atividades integradoras entre as populações, por meio de atividades semanais, em escolas e praças públicas, que qualifiquem os cidadãos a reconhecerem a importância da Floresta Amazônica para o desenvolvimento das comunidades humanas com ferramentas práticas de atuação, como a produção de medicamentos em oficinas artesanais, a fim de desconstruir os maus hábitos que são a causa da problemática. Por consequência, a cidadania se fará presenta para transformar a realidade dos brasileiros e a loucura social, enxergada pelo Coringa, terá seu ciclo findado.