Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?
Enviada em 30/11/2019
Em sua Canção de Exílio, ao descrever o Brasil como a terra detentora do céu mais estrelado e de várzeas com mais flores, o poeta romântico, Gonçalves Dias, certamente, não previa o futuro do País. Estudos publicados pela revista estadunidense, “Science”, apontam que, nas últimas cinco décadas, houve uma redução de aproximadamente 73% da área total da Floresta Amazônica, realizada pelos nove países sul-americanos que a possuem. Nesse sentido, o alto índice de desflorestamento na Amazônia ocorre, por certo, da capitalização de recursos naturais somada à inadimplência por parte dos governos dos países responsáveis pela sua preservação.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, atualmente, nos países que adotaram o sistema de livre mercado, a exemplo dos que dispõe da Floresta Amazônica, os interesses econômicos se sobressaem em relação aos ambientais. Nesse sentido, com o fim da Guerra Fria, em 1989, com a ascensão de potências capitalistas, aumentou-se a necessidade de inserção dos países no mercado internacional. Nesse contexto, países com grandes reservas naturais, especialmente na América do Sul, emergiram no mercado por meio de seus recursos naturais, o que levou à intensa exploração das reservas, e resultou no desmatamento, que perdura até atualmente, visto que, segundo dados da revis- ta “Science”, a Amazônia perdeu cerca de três milhões de quilômetros quadrados até o ano de 2017.
Além disso, faz-se necessário salientar o papel dos países detentores da Floresta Amazônica, e sua inadimplência em relação ao dever de protegê-la. Em sua obra, Urupês, Monteiro Lobato aborda sobre a necessidade da preservação natural, por meio das “árvores que dão ouro”, e ressalta sua importância no cenário mundial. Segundo estudos realizados pela organização brasileira, Conservação Internacional, nos últimos 50 anos, já foram feitas 115 alterações em leis de proteção à Amazônia pelos nove países por ela responsáveis. Nessa perspectiva, fica clara, no cenário internacional, a indolência desses países sul-americanos quanto à preservação dessa reserva natural, haja vista que, conforme informa a “Science”, cerca de 11% da área amazônica perdeu sua proteção legal.
Em síntese, a capitalização dos recursos naturais, somada à negligência dos governos sul-americanos, é um obstáculo à preservação da Amazônia. Portanto, cabe à Organização das Nações U- nidas, ONU, por meio do projeto “Mais Amazônia”, que visa restaurar as áreas florestais desmatadas, determinar limites de extração de recursos naturais em cada país, a fim de cessar a constante redução do espaço florestal que tem ocorrido Ainda, cabe a cada país, por intermédio de investimentos financei- ros, promover o reflorestamento das áreas desmatadas, com o intuito de reverter seu atual cenário de desmatamento. Assim, com a contribuição de todos os países, espera-se preservar a Amazônia.