Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?
Enviada em 07/09/2020
Dicotomia amazônica
O Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) é o maior aquífero em volume de água do globo terrestre. A vegetação denominada mata amazônica, mesmo não sendo o “pulmão do mundo” (são as algas unicelulares constituintes do fitoplâncton), é, ainda, o maior centro de biodiversidade. Tamanha importância gera atritos: entre os países integrados pelo bioma e o quadro internacional, e entre os fazendeiros e pecuaristas e indígenas. Devido a isso, uma solução simples não é esperada para apaziguar esse truncado jogo de relações.
A expansão das áreas cultiváveis, a partir de métodos de correção do solo, iniciou uma pseudo-guerra entre a comunidade indígena e os fazendeiros. A ocupação e o desmatamento ilegais, as queimadas propositais e os assassinatos encomendados fazem parte da conjuntura da região amazônica no século XXI. Todavia, e o governo? O órgão deveria manter a união territorial e incentivar o bom convívio entre seus cidadãos. Observando tal contexto de descaso não condizível à um mecanismo administrativo tão robusto e complexo, sublinha-se dois fatos: a vastidão territorial amazônica, que é impoliciável em sua plenitude, e as leis, que são pouco ou nada rígidas (levando em conta a incomensurável importância dessa região), que se tornaram palavras mortas. Esse cenário implícita a importância e a falta de reconhecimento governamental para com a Amazônia e seus recursos materiais e imateriais.
Entretanto, se, para o governo brasileiro, a situação da vegetação da região norte do país não é um dos focos da atenção nacional, sob o prisma internacional ela é. Regulação atmosférica, imensurável relação com o biociclo terrestre, marinho e dulcícola da América do Sul, termorregulação mundial, etc. Argumentos defendendo a importância da floresta amazônica aglomeram-se aos montes, revelando a necessidade de uma administração coesa, coerente com os aspectos do bioma e imponente o suficiente para amenizar e/ou extinguir conflitos e “fazer valer” a lei. Portanto, a intervenção estrangeira fazer-se-á indispensável no debate sobre o futuro da tutela do ecossistema em questão.
Por conseguinte, imprescindíveis são as providências a serem tomadas visando a preservação do bioma e da soberania territorial. Por meio da pressão internacional exercida sobre a gerência brasileira (por Organizações Não Governamentais e governos distintos) e por mudanças nas leis “deixando-as” mais rígidas, os resultados tornar-se-iam concretos e de benefício mútuo, permitindo assim a manutenção da floresta e a primazia do Estado sobre seu território.