Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 28/08/2020

Todos já devem ter ouvido o ditado popular “Quem ama, cuida”. No Brasil, entretanto, as políticas ambientais voltadas à proteção da Floresta Amazônica levantam questionamentos a respeito da prioridade com que o governo trata essa questão. O aumento do número de queimadas e a negligência com o extrativismo desenfreado estão preocupando especialistas não só no país mas em todo o mundo em relação a quem deveria exercer o poder na região. Nesse caso, a ilusão de controle e o dever coletivo de cuidado devem ser discutidos de modo a resolver o problema.

Primeiramente, é importante destacar a crescente relevância do cuidado com a floresta nas últimas décadas. Desde os anos 70, diversas conferências e tratados foram firmados com o objetivo de contribuir com a manutenção do bioma. Apesar dos esforços internacionais, as ações não foram suficientes frente à dimensão do imbróglio. De acordo com a ONG Greenpeace, os acordos diplomáticos e as verbas alocadas contribuíram para uma redução média de 18% nas queimadas florestais, um índice muito baixo para a frequência do fenômeno. Esse fato corresponde, para o sociólogo Jurgen Habermas, a uma ilusão do homem ter controlado seu meio, quando na verdade controlou ele próprio. Ou seja, grande parte dos pactos e estratégias políticas serviram mais como um placebo do que um remédio eficaz contra os delitos antrópicos.

Outra importante questão a ser discutida é o compromisso dos agentes com a manutenção da sustentabilidade. Embora a maior parte da Floresta Amazônica esteja localizada em território tupiniquim, nenhuma decisão unilateral deve ser tomada no tocante ao tema. A  diversidade de fauna, minerais e substâncias químicas na região são abundantes. Por consequência, devem ser utilizadas de modo a promover um desenvolvimento universal e inclusivo. Todavia, o governo de Jair Bolsonaro caminha de maneira contrária ao interesse coletivo, motivado por um ufanismo patriótico a defender seus interesses em detrimento de outras nações. No fim, apenas a cooperação diplomática e a abertura comercial poderão quebrar os entraves nacionalistas e promover o progresso coletivo.

Em suma, é sabido a urgência da preservação da Floresta Amazônica, assim como a influência de certas medidas diplomáticas tomadas nas últimas décadas. De modo a solucionar essa questão, é necessária a criação de uma superintendência federal por parte do poder executivo com um fim fiscalizador de caráter regional, através de patrulhas rodoviárias e monitoramento via sensoriamento remoto de desmatamentos e queimadas. Dessa maneira, os acordos diplomáticos terão chances maiores de serem cumpridos e a sustentabilidade tornar-se-á verdadeiramente positiva.