Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 12/09/2020

Durante uma expedição ao Norte do país em 1986, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado realizou registros memoráveis sobre a febre do ouro em Serra Pelada e sobre os prejuízos e a devastação ambiental que a prática trazia para a Amazônia. Décadas depois, é fato que os problemas da floresta ultrapassaram as fronteiras brasileiras e tornam-se atemporais: o bioma ainda enfrenta contínua exploração e degradação em toda a sua extensão. Nesse sentido, cabe avaliar como questões de cunho econômico e político interferem na problemática.

Em primeira análise, é cabível averiguar como fatores de viés monetário intensificam a destruição da Amazônia, não apenas em solo brasileiro, mas também em solo internacional. Consoante ao filósofo alemão Albert Schweitezer, o homem aprendeu a dominar a natureza antes de ter controle sobre si mesmo. Nesse cenário, tal lógica mostra-se verídica nos países cobertos pela floresta, uma vez que a ganância desenfreada de parte da sociedade leva à manipulação e destruição da floresta, como idealizado por Schweitezer,  em detrimento da expansão agropecuária e da maior obtenção de lucros. Como consequência disso, a economia global passa a desenvolver-se  impulsionada pela destruição de bens naturais como a Amazônia o que pode ser extremamente prejudicial a longo prazo.

Somado a isso, questões de cunho político são outro impasse na preservação da Amazônia vivenciado por todos os países em que o bioma está presente. Isso porque, grande parte desses Estados possuem leis ambientais fracas e inefetivas que são seriamente burladas pelos governantes. A exemplo, tem-se as recentes alterações no código ambiental brasileiro que diminuíram a quantidade de hectares protegidos por lei na Amazônia nacional. Fatos como esse comprovam a ineficiência dos governos Sul-americanos no combate à destruição da floresta e tem como resultado o incentivo ao uso abusivo dos recurso naturais em todo o continente.

Isso posto, torna-se necessário um debate a nível mundial sobre o tema. É cabível aos diversos países do mundo estabelecer parcerias com as nações ocupadas pelo bioma a fim de aniquilarem a problemática. Para isso, a criação de medidas econômicas que promovam um desenvolvimento monetário sustentável, através da fiscalização, punição e boicote de produtos que não sigam os padrões ambientais é fundamental. Além disso, a formação de conselhos mundiais que exijam a criação de leis mais efetivas nos países ocupados pela floresta e que fiscalizem constantemente o cumprimento das mesmas é de extrema importância. Somente assim, o mundo conseguirá frear a destruição de seus recursos mais preciosos e evitar que cenas como as fotografadas por Salgado voltem a se repetir em um futuro próximo.