Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 21/10/2020

O filme “Taína”, lançado nos anos 2000, fala sobre uma índia que reside na Amazônia e, mesmo muito jovem, tenta proteger a floresta de caçadores que contrabandeiam espécies raras e desmatam ilegalmente, ameaçando sua aldeia e toda a vida guardada na região. É evidente que além de ser lar para indígenas e cerca de 20% da fauna e flora, não apenas do Brasil, mas do mundo inteiro, os danos causados ao longo dos séculos à Floresta Amazônica, desde a colonização, até os dias atuais, são sofridos pelo planeta como um todo, por isso, nenhum presidente deve ter a liberdade de explorar  suas riquezas buscando lucro, consequentemente, tornando dever do mundo inteiro protegê-la.

Além de servir de casa para diversas espécies da área, é na Bacia Amazônica que se encontra 20% da água doce do mundo, o que ressalta sua importância em âmbito internacional. Contudo, pouco foi feito quando os índices de queimadas na floresta cresceram significativamente no começo de 2020, o que causou prejuízos inestimáveis e, talvez, irreversíveis, à vegetação como um todo. Certamente, isso não veio sem aviso prévio. Se trata de uma consequência, já que mesmo com o aumento de 30% no índice de fogo em 2019, o governo Bolsonaro segue cortando a verba destinada à prevenção e controle de incêndios florestais, tendo redução de 58%, de acordo com dados do Portal da Transparência. Adicionalmente ao desleixo do governo, existe também as taxas de desmatamento, que só sobem.

Visto que cerca de 700.000 km2 da Floresta Amazônica já foram desmatados, 17% da sua cobertura original, é inegável que além de influenciar diretamente na extinção de centenas de espécies ameaças que residem no local, a falta de árvores modifica o clima, o tornando cada vez mais seco, uma vez que o responsável pelo clima úmido característico da área, é a precipitação possibilitada pela evapotranspiração da mata e dos rios, dado que a massa de ar que incide sobre boa parte da Região Norte do Brasil, é a mEc, Massa Equatorial Continental, que, originalmente, deveria ser quente e seca. Com cada vez mais desmatamento, a eventual mudança no clima é inevitável, o que prejudica inúmeros fatores como a agricultura, vegetação, e, evidentemente, a maior incidência de queimadas.

Concluindo, é evidente que o governo brasileiro não é capaz de, sozinho, preservar e cuidar de uma fonte de vida inestimável em valor, sendo necessário a criação de um órgão que conta com a cooperação de ministros do meio ambiente vindos das principais nações do mundo, que elaborarão planos de contenção de danos já causados, utilizando fundos monetários oriundos de contribuição obrigatória de todos os países que formam o órgão, objetivando a diminuição do desmatamento e das queimadas, uma vez que medidas extremas são necessárias, já que a situação é crítica, e os recursos  correm risco de se tornar insuficientes.