Proteção da Floresta Amazônica: dever do Brasil ou do mundo inteiro?

Enviada em 19/07/2022

A exposição do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado “Amazônia” traz luz a um mosaico de elementos ambientais e sociais que dependem da sobrevivência da maior floresta do mundo. Dentre eles, destacam-se o controle do clima global e a sustentabilidade dos povos da floresta. Tais fatores esbarram em interesses de atores nacionais e internacionais e que fazem com que o bioma precise de proteção multilateral.

Nesse viés, é imperioso mencionar que a floresta abarca o interesse de poderosos grupos que não estão preocupados com a sua preservação. Sob essa ótica, o documentário “Virunga” mostra como o grupo extrativista inglês SOCO se aproveita da falta de infraestrutura organizada de segurança nacional nas florestas do Congo para explorar recursos naturais. Para garantir tal predação, a equipe de segurança privada da empresa faz uso de armamento mais robusto do que os da guarda nacional, o que torna a batalha pela proteção amargamente perigosa e desigual para os militares locais. Analogamente, tal situação é experienciada também na floresta amazônica e tem levado defensores da floresta, como Chico Mendes, a serem brutalmente assassinados por representarem um empecilho aos interesses econômicos na região. Dessa forma, dado que as forças internacionais de destruição da floresta não são comparáveis às nacionais que visam protegê-la, é preciso que a sua guarda seja feita de maneira internacionalizada.

Além disso, convém ser mencionado que a regulação do clima mundial tem se mostrado altamente dependente dos rios voadores gerados na região Amazônica. Como mostra David Wells no seu livro “A terra inabitável”, a cascata de eventos desencadeadas pela evapotranspiração da floresta são sentidas em todos os continentes e, caso o bioma fosse destruído, a agricultura global seria impactada de tal maneira que a população mundial poderia enfrentar uma epidemia de fome sem precedentes. Portanto, visto que a exploração da região Amazônica não é feita exclusivamente por empresas nacionais e que, também, os impactos ambientais têm efeitos mundiais, reforça-se a ideia de que a proteção da floresta deve ser concebida de maneira global.