Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 26/05/2022
Consoante os filósofos atenienses, a democracia exige dedicação dos cidadãos para a produção do saber. Hoje, o descrédito dado ao processo científico não custa em ameaçar as instituições democráticas, haja vista a propagação de falácias acerca dos estudos baseados na experiência. Tal ceticismo reflete tanto na formação de sujeitos de conhecimento raso quanto nas possibilidades de ressurgimentos de sistemas sociais opressores. Destarte, é fundamental analisar tais fatores, bem como propor meios de barrá-los.
Em primeiro lugar, convém discutir como informações de interesse coletivo desprovidas de ciência influenciam no desenvolvimento cognitivo dos indivíduos. Sob tal óptica, a filosofia kantiana considera que o Homo sapiens é produto do meio inserido. Nesse sentido, as chamadas fake news e afins parecem corromper a sabedoria construída pelos membros do coletivo, já que exigem compreensão simples e espalham-se em massa graças à expansão das redes virtuais. Logo, a cientificidade perde espaço na ambiência social, algo preocupante em tempos sinuosos para setores como a saúde, por exemplo.
Outrossim, convém observar o elo entre teorias conspiratórias e notícias falaciosas com a nutrição de adeptos a regimes sociais intolerantes e fóbicos à democracia. Nesse contexto, o historiador Divalte explica que líderes como Adolf Hitler e Josef Stalin abusaram de retóricas vagas e desprovidas de verdade para chegarem ao poder. Desse modo, a desvalorização do processo científico pode contribuir para o retorno de totalitarismos, porque empodera saberes superciais e sem comprovação, pondo em risco a tão almejada democracia.
Depreende-se, portanto, a necessidade de corroer descréditos à ciência em favor do democratismo. Para isso, compete ao Legislativo, mediante a elaboração de leis mais severas, a punição de criadores de falácias que possam ferir a coletividade. Tal ação inclui a supervisão constante do meio virtual, bem como a análise de discursos de ódio alicerçados por afirmações sem base experimental. Espera-se, com isso, não apenas empoderar o sistema democrático, garantido pela Carta Magna, como também promover o diálogo e o respeito entre os semelhantes na coisa pública.