Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?

Enviada em 28/05/2022

Uma das premissas de um governo democrático é ser transparente com seu povo. Através da ciência, a partir de estudos com dados aprofundados e comprovados, é possível exercer essa transparência conscientizando a população das possibilidades e consequências de uma eventual descoberta. Quando há a descredibilização da ciência, poder-se-ia afirmar que se trata do progresso de um regime não democrático e de ataque ao bem-estar coletivo, como consequência.

Dessa forma, haveria a constituição de uma “democracia blindada”, segundo o historiador Felipe Demier. O governo passa a impressão de que é um regime democrático, mas na realidade não o é, já que esconde e deturpa fatos científicos, os quais implicariam em uma população mais educada e crítica. Isso para impedir possíveis transformações na estrutura do Estado burguês, devido ao potencial da sociedade se tornar mais questionadora sobre seus direitos e participativa. Isto é, o regime não democrático se blinda justamente para deseducar e confudir os cidadadãos, de forma a manter o status quo do poder hegemônico.

Além disso, a decribidilização da ciência, pela deseducação, gera riscos ao bem-estar coletivo democrático. Os movimento antivacinas no Brasil, durante a pandemia do Covid-19, surgiram em consonância com as teorias conspiratórias - de que a vacina era ineficaz ou provocava doenças - pronunciadas pelo Presidente, agentes do governo e figuras públicas. Quer dizer, mesmo especialistas e fatos científicos comprovando o contrário. Esse contexto ataca a democracia, a qual também tem como uma de suas premissas ser o governo do povo para o povo, para a preservação do bem-estar desse. A não vacinação e a dispersão dessa ideia pode culminar em um vírus mais resistente e em mais mortes entre os cidadãos.

Portanto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública criará o plano “Saúde democrática”, no qual agentes do sistema judiciário atuarão coibindo discursos, de canais de comunicação e figuras públicas, os quais colocarem em risco o bem-estar da população. O Ministério das Comunicações atuará no plano, associando os veículos comunicacionais do Brasil, de forma a desconfigurar e desmistificar fatos não comprovados pela ciência, educando os cidadãos com informações fidedignas. Assim, a cortina que blinda a democracia será desvelada pelo apoio à ciência.