Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 30/05/2022
A ciência, conjunto de conhecimentos e processos empíricos e metódicos, surgidos primordialmente na grécia junto da filosofia, tem acompanhado a humanidade por séculos e constitui um dos pináculos da civilidade. Galileu Galilei, precursor da ciência moderna, proferiu a seguinte frase: “não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sentidos, razão e intelecto, pretenda que não os utilizemos.” A existência de Deus é uma incógnita, mas que o ser humano é dotado de razão e intelecto, isso sim é inegável, no entanto, se observa hoje a negação dessas capacidades inestimáveis.
Destarte, partindo da afirmação do filósofo aristóteles, de que o homem é um ser político, temos a crucialidade dos avanços tecnológicos conquistados por meio da ciência. Portanto, pode-se concluir que, sem eles as urnas, vacinas, internet e os regulamentos de trânsito, capacitores do funcionamento da política democrática, não existiriam, assim, o problema nasce quando a credibilidade do conhecimento acadêmico é contestada e vê-se na sociedade uma regressão dos avanços que, por meio dele, foram alcançados.
Por conseguinte, é evidente que o processo democrático depende muito da educação, sendo os indivíduos por meio dela ensinados a exercer sua cidadania. O artigo vigésimo sexto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, garante a todo integrante da família humana, o direito de acesso à educação, não qualquer educação, mas uma que expanda a personalidade do cidadão e repasse os valores de união e fraternidade, no entanto isso mostra-se inexequível para uma civilização onde a ciência é frequentemente contestada e despida de sua relevância.
Sendo assim, em observância dos tópicos abordados, vê-se como saída para a recorrente onda de desinformação e “fake news”, a criação de uma cultura onde as metodologias acadêmicas sejam valorizadas. Como agentes dessa transformação têm-se a comunidade acadêmica, atuando por meio de divulgação científica e ação ativa e constante na educação elementar, fundamental e no ensino médio, de modo a criar desde cedo uma mentalidade mais crítica para as próximas gerações, com finalidade de fazê-las combater o negacionismo.