Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 13/06/2022
Segundo a filósofa alemã Hanna Arendt, a Idade Contemporânea caracteriza-se pelo processo de banalização do mal, deocorrente da incapacidade da sociedade de fazer julgamentos morais. Com isso, hipóteses que, em condições normais, seriam julgadas erradas são compartilhadas passivamente pela população. No que tange a isso, torna-se ameaçador à democracia esse grande impulso ao não pensamento crítico, aliado ao descrédito atribuído à ciência. Nesse contexto, convém escrutinar as diferentes facetas dessa realidade banalizada.
A princípio, é indubitável que crises sociais estejam instrinsicamente relacionadas ao tema. Isto porque há, historicamente, uma maior fragilização de certos grupos em períodos de guerra, epidemias e colapsos no qual a busca por proteção diante do caos é a fábrica perfeita para ideias conspiratórias. Como exemplo, pode-se citar a epidemia de aids em meados dos anos 2000, na África, no qual medidas tomadas pelo próprio governo, ao descrer na eficácia do antídoto, baseadas em uma hipótese conspiratória, gerou mais de 330 mil mortes no país. Torna-se evidente, portanto, os impactos negativos da passividade em aceitar ideias sem respaldo científico e expô-las como verdade única.
Ademais, é preciso apontar para a educação que, nos moldes predominantes no Brasil, é outro fator que contribui para a manutenção da ignorância dos discursos anti-científicos. É justo, portanto, relembrar a obra ´´Pedagogia da Autonomia´´, de Paulo Freire, em que ele destaca a importância das escolas em fomentar o conhecimento técnico-científico, que ultrapassa as barreiras da observação e aproxima o aluno das verdades comprovadas sobre a realidade. No entanto, uma vez que essa lógica não é exercida nos educandários, mais uma vez torna-se difícil ultrapassar as barreiras da passividade e chegar a verdade.
Destarte, medidas são necessárias para moldar a realidade de forma mais positiva. Isto posto, cabe à escola, forte ferramenta de formação de opinião, realizar práticas científicas e debates para incentivar o pensamento crítico do aluno, assim como reunir a comunidade, a fim de conscientização, por meio de também debates, para que, com ambas as medidas, possa-se erradicar qualquer tipo de hipótese conspiratória, visando a manutenção do bem democrático.