Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?

Enviada em 19/07/2022

Ao refletir sobre a ciência nas últimas décadas, é possível perceber que os cidadãos, independentemente de sua profissão, estão ficando cada vez mais críticos. Tanto que, mesmo sem forte fundamentação, questionam o status quo. Essa é uma atitude em que se pode encontrar valor, ajudando a entender e mudar a realidade, mas também detém o potencial para acarretar riscos.

Preliminarmente, cumpre destacar que cada ação recebe apoio no grupo que a idealizou. Desse modo, aqueles que não receberam educação formal especializada são propensos a considerar ideias que, em grupo diverso, seriam rejeitadas. Nesse ponto, é importante lembrar que assim como aprovação não implica veracidade, rejeição não implica falsidade. Diversas vezes cientistas acreditaram estar corretos, quando não. O mesmo para a população. Significa que, a princípio, não se pode falar em supremacia na declaração de um ou outro, mesmo que aparente haver razão para tal. Por essa razão, de certo modo, uma crítica, mesmo que pouco fundamentada, pode ter grande valia. Ao ser introduzida e divulgada, pode fomentar movimentos em uma direção séria, rigorosa e realista.

Não obstante, não resta dúvidas de que há uma perda. Ao questionar tudo, sem sequer ter ideia do que se questiona, fecha-se em respeito à verdade. Tudo se torna um problema sem solução e, especialmente em grupos, pode levar ao fanatismo. Um dos efeitos diretos deste pode inclusive chegar tão longe a ponto de pôr em risco a democracia. Esse regime político nada mais é que um acordo a nível nacional no qual a maioria acredita em um sistema em particular. No advento de uma era em que em nada se acredita, ou em que existam variados grupos intensamente vinculados às suas crenças, é plenamente possível que um tentará ganhar influência por meio da força e, no fim, quebrar o alicerce vigente e instituir um governo de acordo com suas ideologias e seus objetivos.

Diante desse contexto, impende reconhecer que a descrença na ciência é uma questão ambivalente, sem resposta definitiva e que pode pender ao positivo e negativo. Todavia, é seguro afirmar que a quebra de paradigmas seria inevitável, a forma como a sociedade se organiza sendo um dos aspectos mais afetados, podendo se tornar uma distopia ou uma utopia.