Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?

Enviada em 25/07/2022

Segundo a Constituição Federal de 1988, com o princípio da Isonomia, deveria ser garantido, a todos, direitos iguais. Entretanto, no recente cenário de isolamento social, esse princípio foi ‘‘violado’’. A descredibilação da ciência, tanto pelo posicionamento do presidente sobre a gravidade de tal período, quanto pelo compartilhamento, na internet, de ‘‘informações’’ opostas ao comportamento cientificamente coerente, resultaram em diversas consequências para a sociedade, principalmente na questão da saúde pública e na democracia.

Em primeira análise, salienta-se o fato de, segundo o jornal ‘‘El País’’, o Brasil ter sido um dos países que mais demoraram para iniciar a vacinação contra o recente Coronavírus, como uma das consequências evidentes da descredibilização da ciência na sociedade. Ademais, a atitude do presidente vigente em defender, inicialmente, sua opinião de que a então pandemia não era ‘’tão importante’’, pois a atuação viral não passava de uma ‘‘gripezinha’’, como exposto pelo jornal BBC, contribuiu para uma maior adoção de pensamentos anti-vacina, e, por conseguinte, duma quantidade descomunal de mortes durante tal período.

Outrossim, fica evidente a necessidade do respeito aos limites da liberdade de expressão, para fazer juz ao princípio democrático isonômico, previsto na constituição atuante do país, não interferindo na liberdade de outrem, por exemplo, de se vacinar. A disseminação, durante o período pandêmico recente, de grupos de indivíduos chamados de ‘‘anti-vacina’’, que espalhavam sua opinião contrária às evidências científicas, foi um dos principais obstáculos para a recuperação da saúde pública, atrasando a adoção de campanhas de vacinação no Brasil, e, por conseguinte, tirando o direito a proteção de vários indivíduos ao vírus e prolongando a quarentena.

Destarte, visando diminuir a descredibilização da ciência na sociedade atual e suas consequências na democracia, torna-se imperativa a criação de soluções que ‘‘retomem’’ a autoridade científica. Para tal feito, cabe ao Ministério da Educação, junto a cientistas que representem suas respectivas formações acadêmicas, o compartillhamento de informações, com comprovação científica, acerca de dados e informações pertinentes aos vigentes cenários da sociedade.