Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 09/10/2022
Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o protagonista, em um momento histórico em que predominava a fé na ciência, acha graça da mãe da personagem Eugênia por ter medo de uma borboleta. Contudo, atualmente, depois de o homem já ter ido à Lua, parte da sociedade ainda acredita em teorias da conspiração e defende a crença do geocentrismo. Nesse viés, direitos dos povos autoctónes são negados, a saúde sofre colapso e o desmatamento da Amazônia avança, embora o mundo alerte para o risco do aquecimento global.
Nesse sentido, por desacreditar do cientificismo, o governo Jair Bolsonaro não investiu na compra de máscaras, álcool gel e respiradores, fato que levou milhares de pessoas à morte por Covid-19. No mesmo contexto, apelou para soluções mágicas, ou seja, medicamentos que, sem comprovação científica, prometiam a cura da doença. Logo, ivermectina, cloroquina e outros placebos, espécies de modernos “emplastos Brás Cubas”, foram vendidos como soluções mágicas.
Isto posto, em um contexto negacionista, não raro pessoas são ameaçadas pelas fogueiras da ignorância, haja vista o exemplo de Galileu Galilei que foi preso e teve que abjurar sua teoria para não ser morto pela Igreja. Assim, defende-se que a democracia corre risco, já que esse mesmo governo nega as mudanças climáticas e defende o desmatamento e o avanço do agronegócio. Por isso, é fundamental que as instituições mostrem seu viço, pois é no equilíbro entre os três poderes que a cidadania pode avançar e salvaguardar a sociedade.
Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde faça campanhas de conscientização sobre a importância da vacinação e da prevenção de doenças. Isso deve ser feito por meio de campanhas publicitárias educativas a ser veiculadas por rádio, televisão e redes sociais. Paralelamente, a Funai deve cumprir seu papel instititucional, agilizando a demarcação das terras indígenas, cujos processos estão parados desde o início do atual governo. Outra medida deve ser realizada no âmbito do Ministério da Educação, em que biólogos sejam contratados pelo governo, para mostrar aos ícones do agronegócio, que é mais produtivo investir na preservação do que arcar com as restrições impostas pela ONU e outras entidades. Em suma, a ciência é aliada e não inimiga a ser combatida como um mero placebo.