Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 24/10/2022
Um dos princípios de um governo democrático é ser transparente com o seu povo e por meio da ciência e de estudos comprovados é possível exercer essa transparência de forma consciente e responsável. No entanto, quando há a descredibilização da ciência tem-se como consequência a progressão de um regime não democrático e o ataque ao bem-estar coletivo.
Em primeiro plano, descredibilizar a ciência constituiria uma “democracia blindada”, segundo o hisotirador Felipe Demier. Isto é, o governo parece ser um regime democrático, mas não é, visto que esconde e deturpa fatos científicos que levariam a uma população mais crítica e participativa. Dessa forma, ao deseducar e confundir os cidadãos, impedindo possíveis transformações estruturais, o regime não democrático se blinda para manter o status quo do poder hegemônico.
De modo equivalente, a descredibilização da ciência pode gerar riscos ao bem-estar coletivo. Nesse viés, tem-se os movimentos antivacinas ocorridos no Brasil durante a pandemia do Covid-19, que surgiram em concordância com teorias conspiratórias - de que a vacina era ineficaz ou provocava doenças - pronunciadas por diversas autoridades políticas brasileiras. Deste modo, tal ação ocasiona a não vacinação que, por sua vez, culmina em mais pessoas acometidas e mais mortes, ameaçando o bem-estar coletivo que deveria ser assegurado pelo governo e seus representantes.
Portanto, é necessário que o Ministério da Justiça e Segurança Pública criem um plano, no qual os agentes do sistema judiciário atuarão refreando discursos de autoridades políticas que coloquem em perigo o bem-estar social dos cidadãos brasileiros, e também desmistificando falas não comprovadas cientificamente, a fim de educar os brasileiros com informações verdadeiras e promover uma sociedade crítica e participativa. Assim, o Estado cumprirá sua função e será possível proteger a democracia com o apoio da ciência.