Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 01/11/2022
No filme estadunidense “Idiocracia”, é apresentada uma sociedade distópica em que o nível de inteligência da população reduziu drasticamente com o passar dos anos. Análogo à obra, o Brasil contemporâneo presencia cenário semelhante, matérias antes sedimentadas, como a esfericidade do globo e a eficácia de vacinas, são questionadas sem embasamento científico e indicam que o Brasil estaria regredindo intelectualmente. Diante desse cenário, é necessário analisar os riscos que a descredibilização da ciência pode oferecer à democracia.
De início, a negação da ciência propicia ambientes autoritários. Durante a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, houve a “Grande Queima de Livros”, tal evento, estimulado pelo Partido Nazista, conclamou que toda a população ateasse fogo aos documentos didáticos que pudessem contrariar as ideologias fascistas. Essa atitude de Hitler serviu para evitar correntes contrárias a sua visão da superioridade da raça ariana e dominação das demais etnias. Desse modo, quando a sociedade suscita dúvidas infundadas sobre o método científico, permite que movimentos tiranos ameacem a democracia com a criação de ideais fictícios.
Ademais, a descredibilização da ciência escancara a falta de comunicação da sociedade moderna. Segundo o filósofo Jürgen Habermas, a razão comunicativa é o princípio basilar da democracia, ou seja, o corpo social só é realmente democrático quando todos têm direito de se expressar e chegar a um consenso. Sob essa ótica, o questionamento da ciência demonstra como a população vem perdendo a capacidade de se comunicar. Nesse contexto, as crenças ilusórias se tornam verdades indubitáveis e ameaçam o cenário democrático pela falta de diálogo.
Depreende-se, portanto, que quando a ciência é descredibilizada a democracia é negativamente impactada. À vista disso, é dever do Ministério das Comunicações - órgão responsável pelo controle da radiodifusão nacional - atuar para impedir manifestações anticiência. Isso pode ser feito por meio de campanha publicitária que busque demonstrar a importância da ciência para a humanidade, a fim de diminuir a disseminação de mensagens que questionem, por exemplo, a eficácia das vacinas. Assim, o Brasil poderá seguir em busca das melhores práticas democráticas.