Quais são as consequências para a democracia quando a ciência é descredibilizada na sociedade?
Enviada em 19/01/2023
Segundo o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que pode ser utilizada para mudar o mundo. Nesse sentido, apesar de os tempos atuais serem denominados de “Era da informação”, o cenário é dominado pela desinformação da população, principalmente para assuntos de caráter social, como política e educação. Assim sendo, destacam-se como agravantes da escassez de conhecimento a massificação de fake news e o sedentarismo intelectual da população brasileira.
Mormente, destaca-se a necessidade de determinada autonomia crítica e opinativa para que um cidadão exerça o seu papel político e social adequadamente. Nesse viés, é notável o acontecimento da massificação de notícias e teorias falsas, que objetiva a manipulação da sociedade com um fim específico. Nesse contexto, torna-se evidente o fenômeno da “Industria Cultural”, criado no século XX, designado pelos intelectuais da Escola de Frankfurt como a produção e manipulação da cultura de acordo com a indústria, resultando na limitação de capacidade cognitiva do indivíduo pensar e opinar por si mesmo. Dessa forma, afeta também a democracia, devido à dificultação do acesso à informação verídica.
Outrossim, o uso excessivo das redes sociais corrobora a perda cognitiva dos cidadãos. Sob tal perspectiva, a produção de conteúdos de rápido consumo ocasiona a busca por um aprendizado e por relações sociais tão ágeis quanto as mídias sociais. Desta maneira, torna-se evidente o conceito de “Modernidade Líquida”, idealizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, baseado na premissa de que hodiernamente vive-se na época de relações sociais, econômicas, científicas e políticas muito fugazes e maleáveis. Ou seja, uma realidade na qual o saber superficial é mais valioso que um estudo aprofundado e verdadeiro acerca de algo.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação incentive a mudança desse comportamento social. O que deve ser feito por meio da conscientização em todas as esferas de ensino — ensino básico, ensino médio e universidades — através de palestras mensais e disponibilização de materiais de estudo qualificados, como artigos, apostilas e livros, nas respectivas instituições. De tal maneira que as fake news se tornem impopulares e desnecessárias em meio ao conhecimento.