Questões relacionadas à prostituição no Brasil
Enviada em 22/10/2018
Em 1865, o pintor Édouard Manet chocou os salões de arte franceses ao expor a obra “Olympia” – tela que trazia como elemento central uma prostituta nua –, marco no realismo. A repulsa ao trabalho do artista foi imensa, pois a pintura representava uma realidade que a sociedade preferia ignorar até então. Da mesma forma, no Brasil atual, uma exposição do tipo não teria uma receptividade muito diferente, visto que prostituição, embora seja uma prática de raízes majoritariamente socioeconômicas, ainda é símbolo de perversidade e fruto de preconceito para muitos brasileiros.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que a prostituição, para a grande maioria das pessoas, sempre representou uma necessidade e não uma opção. Desde o período escravocrata no Brasil, muitas mulheres usavam a prostituição como meio de adquirir dinheiro para a compra da própria alforria. Atualmente, uma realidade semelhante se observa com imigrantes venezuelanas no país: as chamadas “Ochentas” (referência à oitenta), frente às dificuldades em encontrar emprego, se prostituem a fim de sustentarem suas famílias na Venezuela. Tais fatos exemplificam como a prostituição é muito mais reflexo de duras realidades socioeconômicas do que uma mera escolha ou mesmo falta de caráter. Outrossim, nota-se que a exclusão, o preconceito e a violência são intempéries que somam à realidade das prostitutas no Brasil. Sobre esse prisma, evidencia-se que a sociedade brasileira – majoritariamente de raízes judaico-cristãs – perpetua uma visão decadente e discriminatória com quem pratica a prostituição, a qual é frequentemente externada, também, de forma física. Ratifica isso os dados da Revista Brasileira de Enfermagem, os quais apontam que dois quintos das prostitutas já sofreram algum tipo de agressão, mostrando como o desrespeito ainda se bastante presente no país.
Infere-se, portanto, que há a necessidade de medidas que visem atenuar os problemas relacionados à prostituição no Brasil. Para tanto, é preciso que o Ministério do Trabalho direcione programas profissionalizantes…