Questões relacionadas à prostituição no Brasil

Enviada em 22/10/2018

Na obra literária “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho, Marguerite Gautier é uma prostituta que vive no século XIX e tem uma vida luxuosa, sendo sustentada por um conde. Após se apaixonar por um rapaz formado em direito, a personagem perde seu luxo e passa a ser julgada e a sofrer preconceitos pela sociedade. Ao sair da ficção, percebe-se que os problemas atrelados à prostituição ainda estão presente na sociedade brasileira, afetando, principalmente, mulheres e pessoas de classes menos favorecidas. Ir a origem desse problema é fundamental para entender a verdadeira forma de combate a esse mal social.

Inicialmente, é válido compreender que o preconceito sofrido pelas pessoas que se prostituem tem raízes históricas e culturais no Brasil. Isso porque, devido a população brasileira ser majoritariamente cristã, cerca de 90% segundo o IBGE, acaba marginalizando e descriminalizando tais indivíduos, visto que de acordo com o Cristianismo a prostituição é um ato pecaminoso. Dessa forma, o bem comum é esquecido e o crescimento individual é priorizado, quando, na verdade, " o altruísmo deveria se sobrepor ao egoísmo para o bem da sociedade, ideia de Auguste Comte.

É necessário pontuar, ainda, que na maioria dos casos as mulheres, que estão mais sujeitas a essa realidade, estão em busca de uma melhor condição de vida, porém, sem a educação básica e profissionalização não conseguem empregos estáveis, e assim, acabam vendendo seu corpo para se sustentar. Tal fato pode ser provado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, que de acordo com as pesquisas apenas 30% das mulheres que se prostituem têm alguma profissionalização.

Portanto, como forma de amenizar os problemas atrelados à prostituição, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular de matérias como história, por exemplo, temáticas e discussões sobre esse trabalho marginalizado pela sociedade por meio de documentários e até campanhas de conscientização, a fim de atenuar o preconceito e a descriminação. Cabe ainda, a mesma Entidade investir em programas de educação básica e cursos profissionalizantes para os adultos, de forma gratuita, com o intuito de ampliar as possibilidades de emprego e garantir maior dignidade àqueles que vivem vulneravelmente. Afinal, segundo o poeta Carlos Drummond de Andrande: " Em uma época de tantos acontecimentos, é fundamental seguir de mãos dadas".