Questões relacionadas à prostituição no Brasil

Enviada em 25/10/2018

Desrespeito à escolha

Para o sociólogo Max Weber: “O trabalho dignifica o homem”. No entanto, quando este faz parte do âmbito sexual, é considerado como imoral. Essa mentalidade perpetua tanto o preconceito como a violência contra as prostitutas. Dessa forma, é essencial entender essa realidade para mitigá-la.

Em primeiro plano, vale ressaltar a “liberdade situada” defendida por Sartre. Segundo ele, o indivíduo é livre para fazer suas escolhas dentro das condições em que está inserido. Sob esse ponto de vista, usar o próprio corpo em detrimento de dinheiro é uma escolha, logo, deve ser respeitada. Porém, os dados não condizem com o que é moralmente correto, visto que 41% das prostitutas já sofreram agressões, e dessas, 61% são psicológicas, segundo a Revista Brasileira de Enfermagem.

Parte desses dados ocorre devido à vulnerabilidade em que essas mulheres se encontram. Um exemplo claro são as venezuelanas ao Norte do país, elas veem para o Brasil com o intuito de ajudar suas famílias, mas como não conseguem emprego optam pela prostituição. Em um documentário da Record, elas explicam que é uma forma de sobrevivência e relatam diversas agressões por parte dos homens, os quais as ameaçam e não pagam pelo serviço.

Diante dos fatos mencionados, faz-se necessário mitigar o preconceito e a violência contra essas mulheres. Para isso, cabe ao Ministério da Segurança criar um aplicativo de denúncias contra crimes à dignidade sexual, a fim de facilitar tanto as mulheres a relatarem agressões, como a polícia nas investigações desses casos. Ademais, os assistentes sociais podem contribuir ajudando as mulheres em estado de vulnerabilidade social com cestas básicas e outros programas do governo.