Questões relacionadas à prostituição no Brasil

Enviada em 09/07/2021

No livro “O Cortiço”, o célebre escritor naturalista Aluísio Azevedo expõe a miserável vida dentro de um cortiço no século XIX, a qual é motivada pela ausência de um governo que auxiliasse a população carente. Sendo assim, como consequência das péssimas condições financeiras, diversas personagens da obra são levadas à prostituição. Não obstante da ficção, é notório que o mesmo ocorre na contemporaneidade, uma vez que os cenários políticos e socioeconômicos não apresentaram mudanças radicais. Ademais, é importante ressaltar que meretrizes são vítimas de abusos e, consequentemente, de doenças psíquicas. Dessa forma, é inexorável que haja a análise dessa conjuntura com o intuito de oferecer uma vida melhor a essas pessoas.

Em primeira análise, cabe elencar que a desigualdade econômica alicerça o aumento de aderentes à prostituição no Brasil. Sob essa óptica, o teórico Thomas Hobbes declara que o ser humano é capaz de provocor perversidades perante o próximo em prol de alcançar seus interesses individuais. Portanto, pode-se afirmar que essa teoria é concreta na realidade hodierna, haja vista que as camadas mais ricas do país não possuem o interesse em reduzir a disparidade entre as classes sociais, o que acarreta na elevação da prostituição, posto que é uma forma de sobrevivência. Sendo assim, é imprescindível que esse quadro seja alterado.

Outrossim, é imperioso salientar que, como consequência da necessidade de dinheiro, muitas famílias obrigam suas filhas a adentrarem na prostituição como forma de complementar a renda. Desse modo, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância,  cerca de 71,6% das prostitutas são menores de idade. Além disso, muitas dessas meninas são violentadas e começam a apresentar depressão e outros distúrbios psicológicos, assim como é evidenciado por um estudo da universidade FUMEC, o qual mostra que 76% das garotas de programa apresentam tal doenças.

Urge, portanto, medidas que possam coibir o meretrício como uma forma de sobreviver. Para tanto, é incumbência do Ministério da Educação prover uma educação de qualidade para todos os cidadãos brasileiros, por meio do maior investimento na educação básica, com o objetivo de reduzir a desigualdade socioeconômico, já que é por intermédio do conhecimento que o indivíduo pode mudar de vida .