Racismo no Brasil: como superar esse mal?

Enviada em 10/10/2019

A série “Cara gente branca”, produzida pela Netflix, apresenta um grupo de alunos negros que são desrespeitados em uma universidade na qual a maioria do corpo estudantil é branca, como em qualquer instituição elitista. Nela, a premissa da inquietação gira em torno dos comportamentos racistas ditados como uma necessidade branca de se sobrepor à camada negra. Fora da ficção, é fato que na sociedade brasileira - seja pelo déficit legislativo, seja pela condição sociocultural - ainda há propagação de, similarmente à trama, situações racistas. Nessa perspectiva, faz-se necessário discutir a cerca de qual forma superar esse mal.

Nesse cenário, é válido analisar os impactos causados pela falha legislativa. Sob a óptica do sociólogo Dahrendof em sua obra “A lei e a ordem” , a anomia é a condição em que as normas regulamentadoras perderam a sua eficacia. Consoante a essa máxima, nota-se que a existência do racismo nos parâmetros sociais pauta a insuficiência da legislação - haja vista que a sua soberania não impede a ocorrência de empecilhos raciais, a exemplo: o tratamento ofensivo moldado por ações preconceituosas. Destarte, esse alarmante patamar é salientado pela incapacidade estatal de instituir um panorama o qual impossibilita a manutenção dos discursos ultrajes frente à etnia racial.

Outrossim, é imprescindível entender os efeitos gerados pela condição sociocultural da conjuntura brasileira. O filósofo Immanuel Kant, afirma que se deve agir apenas segundo a forma que se gostaria de ver transformada em lei universal. Nesse sentido, a hodiernidade brasileira fere a assertiva do autor, pois o mesmo conjunto que - teoricamente - lidera o combate ao racismo, também ofende a camada negra por repulsa à pele escura. Ademais, a condição kantniana é deteriorada pela abordagem acrônica a qual o preconceito racial tem sobre a sociedade - visto que, a ideia da inferioridade negra levantada na formação cívica moldou os pilares opressores os quais, infelizmente, são escancarados na contemporaneidade. Logo,  essa insalubridade condiciona o histórico pejorativo frente à negritude.

Portanto, perante o supracitado, é mister combater tanto o déficit legislativo, quanto as condições postuladas socioculturalmente e - assim - desvincular a realidade brasileira da evidenciada em “Cara gente branca”. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em virtude da sua responsabilidade enquanto órgão maior, promover campanhas televisivas - por meio de investimentos - as quais irão estimular a população a denunciar ações racistas, a fim de que ele possa aplicar a punição legal. Dessa forma, será instituído a soberania da legislação. Além disso, é dever das escolas promover palestras com mestres em relações interpessoais, com a finalidade de desmembrar o preconceito das interações humanas e da estrutura social. Somente dessa maneira, o racismo irá ser superado.