Racismo no Brasil: como superar esse mal?
Enviada em 23/10/2019
Destoante da realidade ideal, mesmo após dois séculos de abolição oficial da escravidão, a população negra ainda é constantemente vítima de preconceito e racismo. Nesse sentido, existe uma parte do problema atrelado aos malefícios disso para a dignidade da pessoa humana em um contexto de tantos avanços nessa área no século XXI, conquistados com, por exemplo, a Declaração dos Direitos Humanos de 1944. Ademais, existe ainda o impacto desse detrimentoso cenário no contexto geral da sociedade, que sofre diante do atraso gerado por uma mentalidade rasa e retrógrada, cujo alicerce está contido apenas na irrazoabilidade e incapacidade de aceitação das diferenças inevitáveis.
Nessa perspectiva, em função das circunstâncias históricas, apregoou-se no imaginário coletivo e de senso comum estereótipos acerca do indivíduo mulato e, assim, reverbera-se na contemporaneidade o racismo, velado ou explícito. Por esse caminho, na própria estrutura de poder do país é exercida uma força que institucionaliza esse problema em cenários tais quais as tentativas de relativização do conceito de trabalho escravo ou mesmo a retirada de cotas específicas de raça para vagas em universidades públicas, como infelizmente vem acontecendo na política brasileira. Desse modo, o tecido social brasileiro é fragilizado e os princípios constitucionais, a priore inalienáveis, esvaem-se em um contexto evidente de vilipêndio às bases de uma democracia.
Outrossim, o racismo é uma maneira em si mesma de extremismo, na exata medida em que a ideia do outro e suas singularidades representam – na lógica da ignorância – uma suposta ameaça à cultura e aos hábitos do homem branco. Por essa ótica, a sociedade é levada a uma série delicada de conflitos em razão de o extremismo delimitar a fronteira além da qual a vida acaba, parafraseando a ideia de Milan Kundera, romancista francês, já que, de fato, o indivíduo é induzido, em diversas ocasiões, à expressar seu racismo por meio da violência em suas mais várias espécies. Sendo assim, fica evidente que essa questão é resultado direto da uma certa limitação no processo de amadurecimento da concepção coletiva diante da intransigência instaurada nos pilares que regem o país, bem como educação, religião e política.
Destarte, o racismo é um mal que ainda permeia o Brasil e para o qual se devem buscar soluções. Para isso, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Cidadania, criar secretarias especializadas em atender denúncias de casos de racismo, como forma de atentar-se a esse crime e agir de acordo com as normas jurídicas cabíveis, utilizando-se do corpo policial se necessário ou da abertura e encaminhamento dos processos para que o desafeto seja devidamente punido. Dessa maneira, alcançar-se-á um futuro mais respeitoso e de maior valorização da dignidade humana.