Racismo no Brasil: como superar esse mal?
Enviada em 21/02/2020
A canção “Fogo Cruzado”, d’O Rappa, é um protesto contra a desigualdade racial e social que perpetua-se no Brasil, estampando também o conformismo das classes que dominam: “Que se orgulham do Cristo / De braços abertos, mas não abrem / As mãos / Para novos ventos”. Apresentando-se como um retrato social, tal canção representa muito bem a questão do rascismo no Brasil e os problemas quanto ao seu efetivo enfrentamento. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado e a negligência das escolas na educação quanto ao tema acabam por perpetuar esse triste cenário.
Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para impedir a perpetuação de uma violência social herdada no passado, mas renovada no presente. Essa lógica é comprovada pelo papel imediatista e exclusivo de certas políticas afirmativas, que, aliadas à falta de conscientização da população acerca de seus importantes valores sociais, acabam à mercê de grupos racistas - como os que reivindicam o fim das cotas raciais, por exemplo. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador do processo de violência racial. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Além disso, é imperativo pontuar que mais atenção deve ser dada nas escolas à respeito dessa temática. Segundo Nelson Mandela, “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele (…). Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. Sendo assim, demonstra-se a importância de se fazer políticas educacionais voltadas às crianças como ferramentas no combate ao racismo no Brasil, bem como a necessidade de uma postura ainda mais ativa por parte das escolas.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para fortalecer o combate ao racismo no país. Posto isso, os Ministérios dos Direitos Humanos e da Educação devem, por meio de um amplo debate entre Estado, sociedade civil, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e profissionais da área, lançar um Plano Nacional de Erradicação do Racismo desde à Infância no Brasil, a fim de fazer com que o maior número possível de Brasileirinhos sejam educados desde cedo sobre a temática. Tal plano deverá focar, principalmente, em debater à curto, médio e longo prazo a respeito da importância de superar essa realidade, bem como desmistificar argumentos (já superados) contra as políticas afirmativas já existentes. Dessa maneira, o amor no qual N. Mandela se referiu, poderá ser visualizado no coração de cada vez mais Brasileiros.