Racismo no Brasil: como superar esse mal?
Enviada em 25/05/2020
O período de colonização do Brasil foi marcado por práticas violentas e consideradas, atualmente, como um crime aos direitos inerentes a todo ser humano, como foi o caso dos indígenas nativos do território e negros africanos, que foram trazidos ao país, escravizados submetido a tratamentos degradantes e cruéis. Mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, por meio da Lei Áurea, não houve qualquer tentativa do Estado de inserir os ex-escravos com equidade no mercado de trabalho e garantir-lhes bem-estar social. Dessa forma, há uma discriminação racista histórica persiste no Brasil contemporâneo, causando pobreza e falta de oportunidades justas a essa parcela populacional e requerendo, portanto, um combate enérgico.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre as pessoas mais pobres do Brasil, 3 em cada 4 são negras, revelando uma desigualdade social que torna-se, também, racial. Diante desse cenário, há a manutenção contínua dessa conjuntura, pois, sem acesso a escolaridade, por exemplo, tal população se submete a empregos informais, abusivos ou que não são suficientes para a garantia de uma qualidade de vida digna. A partir disso, é muito presente a ideia de que a figura negra se associa à criminalidade, desconsiderando-se o fator da pobreza como impulsionador de tal contexto e, ainda, generalizando o comportamento de toda uma etnia. De acordo com o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisando casos registrados entre 2005 e 2015, 71% das vítimas de homicídios no Brasil são negras.
Além disso, apesar das ações afirmativas aplicadas com o objetivo de garantir maior inclusão social, escolar e profissional aos negros, há resistência em aceitar figuras negras como merecedoras de reconhecimento. Também segundo o IBGE, 54% da população brasileira se identifica como negra ou parda. Assim, a consequência é clara: grupos de pessoas que não enxergam em si a possibilidade de crescimento, pois desconhecem outros que alcançaram tais objetivos.
Portanto, é preciso que o Ministério da Educação dê mais foco a assuntos que demonstrem os grandes notáveis da cultura negra e incentive a escolarização desse percentual social, por meio da reformulação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), inclusão de livros recém-lançados que abordem especialmente o assunto e oferecimento de bolsas de estudo para pessoas negras que têm o risco de evasão escolar. Dessa forma, ao mesmo tempo em que combate-se o racismo na teoria histórica, ele será combatido socialmente, por meio da inclusão.