Racismo no Brasil: como superar esse mal?
Enviada em 27/05/2020
Mesmo após mais de um século de abolição da escravatura, o racismo mostra-se um mal que persiste no Brasil até os dias atuais, de modo a evidenciar um abismo entre as diferentes etnias. Presente em gestos cotidianos, essa é uma questão que nem sempre é reconhecida pela sociedade brasileira. Nesse sentido, mostra-se necessário compreender como essa exclusão racial se comporta em meio à população para, então, tecer um caminho capaz de combater essa ferida social.
Sabe-se que os negros vivenciam discriminação racial e enfrentam severa desvantagem em relação a outros brasileiros, tal como referido pela própria ONU. Essa defasagem não é recente, se considerar que, historicamente, o Brasil, além de ser o último país ocidental a abolir a escravidão, é ultrapassado em representatividade racial. Isso muito se evidencia no quesito educação: enquanto 22,2% da população branca têm 12 anos de estudos ou mais, a taxa é de 9,4% para a população negra, segundo dados do IBGE. Estes também apontam que o índice de analfabetismo para a população negra é de 11,8% — maior que a média de toda população brasileira (8,7%).
Em segunda análise, o surgimento de leis que protejam essa população, assim como no Art. 3, inciso XLI, que promove o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, foi fundamental no combate ao racismo. Entretanto, ainda se evidencia, por exemplo, o fato de a população negra ser, ainda, a mais suscetível à violência, como visto pelos dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA): um homem negro tem oito vezes mais chances de ser vítima de homicídio no Brasil do que um homem branco.
Portanto, pode-se inferir que o Brasil ainda necessita de medidas que revertam esse cenário de desigualdade no país. Posto isso, é significativo que o Ministério da Justiça torne as políticas em vigor mais rigorosas em suas punições. Assim como cabe ao governo investir no ensino fundamental público para garantir uma educação mais concreta para a população, visto que sua maior porcentagem corresponde à negra. Ademais, é preciso mediar a respeito da inclusão racial em escolas por meio da capacitação de professores, pelo Ministério da Educação, para abordar esse assunto de forma a contextualizar sobre nosso passado escravocrata. Dessa forma, será possível desconstruir esse abismo racial que persiste na realidade brasileira.