Racismo no Brasil: como superar esse mal?

Enviada em 27/05/2020

“A coisa tá preta”, “mercado negro” e “lista negra” são algumas expressões empregadas no cotidiano do povo brasileiro, porém que carregam um contexto racista em seus significados. Tal questão pode ser entendida ao considerar-se o preconceito com a população de pele escura um mal enraizado historicamente na cultura do Brasil. Nesse cenário, pode-se observar na sociedade uma falta de representatividade de pessoas negras e também uma grande impunidade do Sistema Judiciário, o que acaba por intensificar o processo de racismo no país.

Em primeiro plano, é válido ressaltar a esteriotipação da mídia em relação aos afrodescendentes, que estão, na maioria das vezes, ocupando papéis de bandidos, favelados, domésticas e etc., além de que, majoritariamente, atores negros tem participações insignificantes na televisão e nas mídias quando comparados aos atores de pele clara. A título de exemplo, pode-se citar a novela da Rede Globo, Segundo Sol, que contava com um elenco de dez vezes mais atores brancos do que atores de pele escura. Esse fato demonstra o racismo presente no Brasil, apresentado pelas menores oportunidades que os negros possuem em relação aos brancos.

Outrossim, outro fator importante a ser ressaltado é a violência e os ataques contra indivíduos negros. Nesse âmbito, de acordo com o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisando casos registrados entre 2005 e 2015, 71% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Paralelamente, pode-se citar o caso recente do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ambos negros, cujo crime permanece sem punições e sem esclarecimentos. Logo, a partir do constatado, é possível concluir que há, especialmente por parte do Sistema Judiciário Brasileiro, incompetências e impunidades, atrelados ao fato da negligência do Estado para com os crimes cometidos contra cidadãos de pele escura.

Sendo assim, a fim de sanar as injustiças praticadas contra os negros no país, é mister que o Estado, na figura do Ministério da Cidadania, promova campanhas que visem a integração da comunidade negra em ambientes de trabalho e em escolas, e que garantam a integridade dos direitos concedidos aos mesmos em Constituição, por meio de oportunidades de emprego no setor público e de movimentos de conscientização sobre a realidade deses grupos no Brasil. Juntamente a isso, é necessário que haja o cumprimento das leis e a instalação de punições mais graves a crimes que envolvam racismo, com a criação de projetos de lei por deputados federais, a fim de acabar com a impunidade daqueles que ferem o sistema. Dessa forma, caminhar-se-á para uma sociedade mais justa e sem desigualdades, diferente daquela que se iniciara muitos séculos atrás.