Racismo no Brasil: como superar esse mal?

Enviada em 18/06/2020

A Telenovela “Viver a Vida” ficou conhecida por ter a primeira protagonista negra no horário das nove da TV Globo. No entanto, essa e outras iniciativas que dão visibilidade à população afrodescendente, apesar de importantes, ainda são tímidas para solucionar o grave problema do racismo que há no Brasil. Nesse contexto, cabe avaliar como o passado escravista e a falta de educação sobre o tema contribuem para tal questão.

É fato que a história de escravidão no país repercute hoje na vida dos afrodescendentes. Ademais, a abolição da escravatura deu “liberdade” aos negros, mas não forneceu educação, condições dignas de moradia, e nem condições favoráveis de ascensão social. Em virtude dessas desvantagens históricas, esses brasileiros são os mais afetados pelos atuais problemas sociais do Brasil. Para o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. A partir desse conceito, observa-se que foi formado o estigma de que o negro, na maior parte das vezes, é pobre, mal educado e marginalizado, como se isso fosse uma condição natural da raça, desconsiderando-se o contexto histórico do país.

Além disso, é imperativo ressaltar a falta de educação e discussão pública sobre o tema como promotor do problema. Nesse viés, uma pesquisa da Folha de São Paulo mostrou que 90% dos brasileiros acreditam que há racismo no Brasil, mas nenhum dos consultados considerava-se racista, evidenciando-se a dificuldade na classificação pela sociedade do que de fato é a discriminação pela cor da pele. Consequentemente, se o assunto é pouco debatido, os indivíduos não conseguem identificar o racismo, nem tampouco combatê-lo. Nesse ínterim, o pensador Paulo Freire já dizia que sem educação é totalmente impossível transformar o mundo.

Portanto, é necessário que o racismo seja enfrentado no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Cidadania a ação de promover que empresas, com mais de 100 colaboradores, contratem funcionários negros, fornecendo uma meta anual de admissões e um selo que identifica uma “empresa contra o racismo”, com a finalidade de dar mais espaço ao negro no mercado e condições de ascensão social. Outrossim, o Ministério da Educação deve fornecer diretrizes para que escolas, públicas e privadas, ministrem 60 horas de aula anuais para a discussão sobre o racismo, o que resultará em mais esclarecimento sobre o tema. Assim, a representatividade do negro não será mais apenas simbólica na ficção, mas será uma realidade no país.