Racismo no Brasil: como superar esse mal?
Enviada em 06/11/2020
Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o autor defunto dedica sua obra ao primeiro verme que roeu suas frias carnes. Com viés irônico, alerta-nos que o ser humano não tem sido merecedor de honrarias. Mais de cem anos após sua publicação, nota-se a atualidade dessa crítica machadiana, principalmente quanto analisa-se a presença racismo ainda na vida de milhares de brasileiros. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias para a superação desse mal, que persiste influenciada pelo legado histórico e pela má base educacional.
Convém ressaltar, a princípio, que o processo de escravidão foi responsável pela formação do racismo. Nesse sentido, de acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Sob essa lógica, é notório perceber que os preconceitos com negros e pardos, fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, uma vez que a poucos séculos atrás, africanos escravizados eram vistos só como ferramentas de trabalho. Dessa forma, mesmo após a abolição da escravidão, o negro continuou sendo descriminado, desrespeitado, maltratado e ignorado por parte da sociedade, o que, infelizmente, persiste até os dias atuais por conta da antiga visão sobre essa raça.
Ademais, o racismo encontra terra fértil na má formação educacional. Nessa perspectiva, Kant afirma que é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Por esse motivo, o colégio não deve apenas se limitar a ensinar a relação de Pitágoras ou os nomes das rochas, mas sim, ter o papel de desenvolver cidadãos. Entretanto, a escola não tem cumprido sua função no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que demonstrem aos alunos que racismo é uma atitude desumana. Sendo assim, se o tema não for debatido e dissolvido desde cedo, o problema persistirá na vida de milhões de brasileiros.
Logo, é necessário que meditas estratégicas para alterar esse cenário. Portanto, o MEC deve desenvolver palestras em escolas - a serem webconferenciadas nas redes sociais da escola e da prefeitura da cidade - por meio de entrevistas com vítimas de racismo e com especialistas no assunto. Além disso, devem haver palestras voltadas para os professores, as quais apresente modos de apresentar o problema nas salas de aulas, a fim de trazer mais lucidez sobre o tema para a sociedade e superar o preconceito racial. Assim, o Brasil se tornará mais justo e coeso, o que certamente faria Brás Cubas escrever sua dedicatória horando o ser humano.