Racismo no Brasil: como superar esse mal?

Enviada em 15/06/2021

Em 1965, Vivian Malone foi a primeira graduada preta pela Universidade do Alabama. No entanto, ela sofreu muita discriminação, principalmente por viver em um período repleto de segregação racial. De maneira análoga, no Brasil, por exemplo, hodiernamente, muitos negros passam por situações similares a de Vivian, uma vez que o país apresenta uma raiz etnocêntrica muito forte. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos e de uma educação deficitária, emerge um um problema complexo, o qual precisa ser revertido.

Diante desse cenário, vale destacar que um passado — não tão distante — marcado por uma grave hierarquia racial reflete diretamente no comportamento social atual. Sob esse ângulo, em 1888, mesmo com a abolição da escravatura, todos aqueles ex-escravos não tiveram apoio do Estado para ser inseridos na sociedade, pelo contrário, diversos brancos europeus foram encorajados a migrar ao Brasil, com o objetivo de se embranquecer a nação verde-amarela. Nesse contexto, com o Darwinismo social obviamente presente na mentalidade da população, os negros foram excluídos, o que resultou em uma marginalização deles, a qual ainda perdura na atualidade, visto que o racismo é um fardo brasileiro.

À vista disso, é importante salientar que a baixa qualidade da educação brasileira permite que todo tipo de proconceito ainda marque presença no país. Nesse viés, consoante Immanuel Kant — um dos maiores filósofos da modernidade —, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à discriminação de raças, verifica-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que não aborda diretamente esse tema nas salas de aula, por exemplo na disciplina de História, a qual poderia dar um foco maior à negritude diante da construção nacional. Assim, um caminho para se combater o racismo é usar a ideia de Kant: aprimorar o intelecto dos indivíduos a partir do ensino.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, modifique a mentalidade dos estudantes, por meio de projetos de iniciação humanitária, que os estimulem a desenvolver um olhar mais reflexivo e crítico acerca da discriminação. Por sua vez, a mídia, a qual tem papel fundamental na organização, legitimação e curadoria das informações, crie oficinas virtuais, por intermédio das redes sociais, por exemplo, o Instagram, que convidarão pessoas que já foram marcadas pelo preconceito, como a própria Vivian. Essa iniciativa teria como finalidade garantir a desconstrução de uma visão hierárquica de seres humanos e promover uma qualidade de vida melhor para todos. Dessa forma, espera-se superar um dos maiores mals do Brasil: o racismo.