Razões para incentivar a adoção de animais de estimação
Enviada em 03/07/2022
O escritor e jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como o incentivo à adoção de animais de estimação. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.
Primeiramente, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da banda Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz dos estímulos aos processos de acolhimento dos PET’s. Essa conjuntura origina-se de tal modo que há negligência no momento dessa séria decisão, uma vez que será necessária a dedicação a esses bichos por até dezoito anos, a exemplo da alimentação e dos cuidados com a saúde. Por isso, deve-se planejar a convivência e devotação por, no mínimo, esse período. Portanto, animais padecem com o abandono quando isso não é feito, e têm as garantias, previstas no ordenamento legal pátrio, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.
Ademais, o egoísmo presente no corpo social é um entrave que prejudica a solução do fomento ao amparo dos bichos de estimação. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. À luz dessa perspectiva, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante o aumento do número de cães abandonados. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se os laços afetivos, um dos ideais mais nobres de toda sociedade civilizada. Logo, a insensatez cidadã conduz ao sofrimento e, em casos de deficiência, ao sacrifício de filhotes.
Destarte, o Ministério do Meio Ambiente deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, mediante filmes recreativos sobre a promoção da adoção de animais de estimação. Essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar as conclusões defendidas em “Modernidade Líquida”.