Razões para incentivar a adoção de animais de estimação
Enviada em 26/10/2022
No filme “Sempre ao seu lado”, um professor universitário adota um cachorro abandonado em uma estação ferroviária. Esse cachorro, Hachi, se torna um de seus melhores amigos, indo recepciona-lo na mesma estação dia após dia, mesmo anos após o falecimento de seu dono, em uma demonstração de lealdade e amor. No entanto, casos como o de Hachi são raros no Brasil, onde, de acordo com levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde), existem mais de 30 milhões de animais abandonados nas ruas.
Em primeiro lugar, a Constituição Federal, através da Lei 9.605/98 criminaliza o ato de abuso, maus tratos, ferir e mutilar animais domésticos ou silvestres, sendo nativos ou exóticos. Contudo, em um ambiente de pouca fiscalização efetiva, muitos animais são abandonados, maltratados e até mesmo mortos, sem que haja nenhuma consequência para os infratores. Dessa forma, o número de animais abandonados é crescente apesar de, durante a pandemia, o número de adoções tenha quadruplicado, de acordo com a União Internacional Protetora dos Animais (UIPA).
Por outro lado, o preconceito contra animais “sem raça” existente no Brasil desestimula a adoção enquanto favorece a mercantilização de animais com pedigree. A busca por animais “puros” leva ao estabelecimento de canis para criação, muitas vezes de forma clandestina, carregados de maus-tratos, especialmente para as fêmeas, nas chamadas “fábricas de filhotes”. Embora a fiscalização atue nesse sentido, a ação ainda é precária e feita de forma isolada, o que dificulta na identificação e punição para os responsáveis, de acordo com uma reportagem da revista VEJA.
Com o intuito de atenuar essa problemática, o Estado, por meio do Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com ONGs voltadas a proteção animal e com o MPF (Ministério Público Federal), intensificar as fiscalizações, com o objetivo de fechar as “fábricas de filhotes” e punir seus responsáveis sob a égide da lei. Ademais, ONGs devem, em conjunto com a mídia, por meio da veiculação campanhas e mutirões, com o objetivo de promover a adoção responsável de animais e, por conseguinte, diminuir o número de animais abandonados no Brasil.