Razões para incentivar a adoção de animais de estimação
Enviada em 15/08/2024
No filme Um Hotel Bom pra Cachorro, (1) da empresa de entretenimento juvenil Nickelodeon, jovens resgatam e acolhem diversos cães e gatos deixados em situação de rua. Entretanto, diferentemente do que acontece na película, nota-se que o número de bichos de companhia comprados e abandonados supera o número dos que são adotados. Dessa forma, é fulcral o incentivo à adoção de animais de estimação, tanto pelo seu impacto social (2) como pelas implicações morais.
De início, é válido salientar que a adoção reduz o número de animais em situação de rua, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida dessas criaturas também tuteladas pela Constituição. A respeito desse contexto, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estimam que, atualmente, existam (3) cerca de 30 milhões de bichos abandonados. Com base nos dados, nota-se que a dignidade animal não está devidamente garantida como seria previsto pela Magna Carta de 1988. Com efeito, é crucial que a instância governamental assuma medidas que incentivem o amparo de animais pela sociedade.
Ademais, o processo da adoção restaura a humanidade outrora esquecida por quem escolheu a prática do abandono. Sob esse aspecto, Hannah Arendt – expoente escritora do século XX – desenvolveu o conceito de Banalidade do Mal (4), segundo o qual a crueldade está enraizada na irreflexão humana. Nesse viés, o fenômeno denunciado por Arendt mostra-se presente no desamparo de animais, assim como na predominância da compra ao invés do resgate. Assim, pode-se inferir que o estímulo ao acolhimento por meio da informação é uma forma de reverter a alienação que causa a banalidade da indiferença perante os –pets- (5).
Em virtude, o Governo Federal deve incentivar a adoção de animais de estimação através de campanhas televisivas, como “Animal não é Grife!”, que promovam o acolhimento em vez da compra. Além disso, é importante fortalecer campanhas existentes, como o Dezembro Verde, para combater o abandono. Com essas ações, a prática retratada no filme “Um Hotel Bom pra Cachorro” pode se tornar uma realidade cada vez mais rara.