Razões para incentivar a adoção de animais de estimação

Enviada em 17/08/2024

O livro “O cidadão de Papel”, do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a falta de incentivo para a adoção de animais de estimação afeta a sociedade como um todo e traz graves consequências ambientais e sociais, a exemplo dos problemas abordados por Dimenstein. Assim, seja pelo silenciamento social, seja pela crueldade humana, o problema exige uma reflexão urgente.

Sob essa ótica, nota-se que a omissão coletiva é causa evidente dessa problemática. A respeito disso, a cronista brasileira Martha Medeiros desenvolveu o conceito “silenciamento social”, segundo o qual os cidadãos e as autoridades não debatem abertamente temas delicados, para preservar a estabilidade social. Sobre isso, percebe-se que a adoção de animais domésticos é negligenciada, para que não seja preciso lidar com as consequências, como o abandono de animais nas ruas e a superlotação dos abrigos. Dessa maneira, seguindo a perspectiva da cronista, a sociedade fica desinformada e incapaz de atuar de forma ativa para auxiliar o poder público na busca por soluções.

Além disso, a maldade humana se manifesta de forma evidente na falta de incentivo para a adoção ao invés da compra de pets. O pensamento da filósofa Hannah Arendt, na teoria “banalidade do mal”, demonstra que ações prejudiciais podem ser realizadas por indivíduos comuns sem uma reflexão profunda sobre suas consequências. Esse conceito se manifesta no abandono e nos maus tratos de animais comprados por impulso, pois muitos proprietários, ao perceberem a responsabilidade que um animal exige, acabam descartando-os como objetos. Logo, a falta de medidas eficazes para lidar com esses atos contribui para a perpetuação desse problema.

Portanto, é dever da mídia - principal veículo formador de opinião- abordar as vantagens de se ter um animal de estimação. Tal ação deve ocorrer por meio de reportagens, que mostrem os benefícios da adoção, com o intuito de reduzir o silêncio em relação ao assunto e estimular a adoção. Só assim, os habitantes do Brasil poderão exercer a cidadania plena, mencionada por Dimenstein.