Reformas do sistema previdenciário brasileiro

Enviada em 07/06/2019

Em um país de modelo econômico como o Brasil, é tarefa complexa do Estado garantir boa distribuição dos fundos previdenciários, sem desequilibrar as contas públicas. “Quando eu era jovem eu pensava que dinheiro era a coisa mais importante da vida; agora que eu sou velho eu tenho certeza que é”, a célebre frase do inglês Oscar Wilde denúncia uma realidade inevitável e comum, quando se atinge certa idade, o corpo já não consegue mais produzir riquezas, porém as necessidades financeiras continuam, se não aumentam.

Embora o Brasil tenha passado por breve momento economicamente positivo na última década, a falta de ajustes nas legislações envolvendo aposentadoria - medidas geralmente impopulares - por parte dos últimos governantes desencadeou na possibilidade de um rombo financeiro de proporções catastróficas, urgindo daí, a necessidade de ação imediata. Encontrar uma solução que agrade a todos é tarefa delicada tratando-se de sociedade heterogênea como a brasileira.

Considerando as diferenças entre regiões e modos de vida, uma nova reforma deve ainda levar em conta a maior longevidade atual, bem como a melhora na qualidade de vida na terceira idade. Outro fator a ser levado em conta é a natureza do trabalho realizado. Uma pessoa que trabalhou ao longo da vida no campo,por exemplo, tem mais desgaste físico do que alguém que se restringiu aos escritórios. Apesar de ambos merecerem reconhecimento igual, é inegável que ao final da vida o que teve menos desgaste físico tem maior possibilidade de continuar gerando renda se comparado ao outro.

Portanto, afim de tentar frear um cenário econômico caótico iminente causado pelo rombo previdenciário, como ocorreu em países europeus, é imprescindível que, além do governo, a população se conscientize e abrace, mesmo que contrariada, esta reforma. Relacionar o tempo total de contribuição com a natureza do trabalho pode ajudar. O tempo de trabalho considerado para aposentadoria, realizado em atividades mais onerosas ao corpo no longo prazo, tem valor maior se comparado aquelas que exigem menos esforço físico. Isso, somado a uma nova idade minima mais alta para aposentadoria, pode reduzir o desequilíbrio, fazendo com que pessoas que ainda tem condição de trabalho, o façam até mais tarde, deixando para os realmente inválidos o benefício prematuro.