Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 04/02/2020

Em 1965, agentes da Agência Nacional de Segurança Dos Estados Unidos da América (NSA) distorceram dados críticos durante o incidente do Golfo de Tonkin - batalha envolvendo forças navais norte-americanas e a República Democrática do Vietnã. Comunicações feitas pela NSA foram falsificadas para dar a ideia de que navios norte vietnamitas atacaram destroieres americanos, ajudando a precipitar a Guerra do Vietnã. Este confronto mostra que notícias falsas já eram difundidas a muito tempo. Entretanto, com o advento da Internet, as mesmas são repassadas com uma velocidade muito maior. Isso trás malefícios uma vez que, além das pessoas acreditarem que certas informações falsas são verdadeiras, esse tipo de atitude também pode desencadear confrontos sem motivos.

Por conseguinte, o uso das redes sociais vem crescendo e, com isso, atraem um número cada vez maior de pessoas para dentro deste mundo. Nesse aglomerado de internautas, há a difusão de todo tipo de notícias maliciosas e tendenciosas. Essas informações são compartilhadas muito rapidamente e atingem níveis inimagináveis. No livro “Reflexões de um historiador sobre as notícias falsas da guerra”, Marc Bloch disse que “as notícias falsas necessitam de gente que queira acreditar nelas”. Isso não deixa de ser verdade, pois as chamadas “fake news” se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Similarmente, a difusão desse tipo de notícia nas redes sociais podem se elevar além do esperado e atingir níveis de confronto. Martinho Lutero uma vez disse: “uma mentira é como uma bola de neve, quanto mais gira, maior se torna”. Isso se dá ao fato de que as “fake news” podem causar desentendimento e até mesmo guerras, deteriorando a sociedade e o modo de vida dos habitantes. Por exemplo, em 2017 foram compartilhadas imagens falsas a respeito de um povoado muçulmano, porém, na verdade eram fotos de conflitos ocorridos há décadas. Isso fez com que esse povo sofresse perseguição, tendo que deixar seu país.

Levando os aspectos mencionados em consideração, é cabível que haja uma maior atenção em relação ao compartilhamento de notícias nas redes sociais. Órgãos públicos e, até mesmo, o Sistema de Segurança Online podem adotar políticas sobre o que deve e o que não deve ser repassado adiante. Multas precisam ser criadas para atingir quem faz esse tipo de notícia nascer. Além disso, é necessário orientar os internautas sobre as raízes da notícia e influenciá-los a buscar sempre a verdade. Dessa forma, será possível combater a propagação de informações isentas de verdade na Internet, proporcionando fontes de maior confiabilidade, melhorando o repertório informacional do público e evitando desentendimentos.