Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 16/04/2020

Rede de Mentiras

Em 2016, durante as eleições presidenciais norte-americanas, conteúdos falsos e difamatórios sobre a então candidata Hillary Clinton foram amplamente compartilhados na internet pelos eleitores de Donald Trump, influenciando na vitória do mesmo. O ocorrido potencializou a discussão acerca do problema e conferiu a ele uma nova nomenclatura: as fake news. A circulação de notícias falsas é uma adversidade em âmbito mundial, uma vez que, com o advento da internet e popularização da mesma, a rapidez e facilidade com que tal mensagem inautêntica circula é fortemente intensificada.

Primeiramente, sabe-se que o brasileiro dispõe boa parte do seu dia conectado à internet. Segundo pesquisas realizadas pela empresa GlobalWebIndex, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que passam mais tempo na web. Tal fator está relacionado diretamente ao aumento de compartilhamentos das chamadas fake news, visto que, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, tais matérias falsas têm 70% mais chances de serem rapidamente difundidas nas redes sociais, como o Twitter, que as notícias verdadeiras.

Dessa forma, cria-se uma rede de mentiras altamente perigosa, já que, tais calúnias podem incentivar o preconceito, além de oferecer riscos para a saúde e até mesmo resultar em morte. A exemplo, o movimento antivacina, hoje amplamente discutido, foi impulsionado por fake news e vigorosamente disseminado na internet. Dados divulgados pela OMS apontam que a vacina é responsável por evitar de 2 a 3 milhões de mortes por ano, portanto, contrariar tal fato é por em risco a vida de milhares de pessoas.

Além disso, o uso das redes sociais para compartilhar inverdades pode também perpetuar a violência, como no caso que, também ligado diretamente ao crime de calúnia, ocorreu em 2014, onde moradores do Guarujá lincharam uma mulher até a morte por conta de um boato divulgado no Facebook.

Em virtude dos fatos, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. De modo a reduzir a incidência de notícias falsas, o Governo Federal deve elaborar a criação de um disque-denúncias cuja especialização seja a de receber acusações de casos de fake news, especialmente aqueles que ofereçam sérios riscos para a população, como os que instigam a violência e que promovam adversidades para a saúde pública. Além disso, os principais meios de divulgação dessas notícias falsas, como o Facebook e o Twitter, devem promover juntamente com os setores de investigação, a eliminação de páginas e perfis, de suas respectivas plataformas, que compartilhem tais tipos de publicações.