Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 01/04/2020
Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a liberdade de compartilhar informações com o intuito de elevar o nível de conhecimento das pessoas, vem sendo alterada para o seu inverso, com o compartilhamento de mentiras e boatos nos meios de comunicação, que influencia na má compreensão dos assuntos. Nesse sentido, o compartilhamento de notícias e informações falsas na internet é um problema complexo, e persiste devido, não só à falta de conhecimento, mas também à falta de debates.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de conhecimento é um fator determinante para a persistências do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica uma causa importante da problemática: se as pessoas não tem acesso à informação séria sobre as notícias, sua visão será limitada. Sob esse viés, nota-se, através de pesquisas como a de BuzzFeed, feita por norte-americanos, que quase 40% das pessoas utilizam redes sociais como principal fontes de notícias, invés de sites confiáveis e especializados. Tal fato acarreta o contato frequente com notícias não confiáveis, compartilhadas por usuários que não buscam pesquisar sobre o tema em outras fontes, levando como verdade tudo aquilo que lhe é apresentado primeiro.
Vale ressaltar, também, que a falta de debates influência decisivamente na consolidação do problema. Nessa perspectiva, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o problema de compartilhamento de informação falsas seja resolvido, se faz necessário debater sobre. No entretanto, percebe-se que as pessoas não buscam se questionar sobre o que leem e muito menos dialogar com outras pessoas sobre as notícias, que seria fundamental para o incentivo de pesquisa mais aprofundada sobre os temas.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC deve desenvolver palestras em escolas, abertas para a população, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, abordando os diferentes tipos de sites de notícias e o risco da utilização das redes sociais como único meio de verdade. Por fim, essas palestras devem ser transmitidas em forma de propagandas nos canais de televisão, a fim de trazer mais lucidez sobre os meios de notícias e os riscos de compartilhar informações sem a devida pesquisa.