Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
No cenário atual da era tecnológica, é notável o crescente uso da internet como fonte de informações. Entretanto, a abrangência de dados disponíveis permite a disseminação de mentiras e boatos na internet, causando diversos riscos. Afinal, assim como disse Michel Foucault, “tudo emana poder e pode ser usado como instrumento de dominação”. Neste caso, então, alguns desafios advindos do compartilhamento indevido de mentiras são o risco à democracia e o impedimento do trabalho de órgãos geradores de dados estatísticos.
Antes de tudo, é importante ressaltar que grande parte da população compartilha publicações que apoiam seu posicionamento, sem antes saber se são autênticas. Entrevistas feitas pelo site Buzzfeed mostram que, dentre os participantes, 83% daqueles que usam o Facebook como fonte de informações compartilha publicações sem saber se são verdadeiras. Tal fator, em um âmbito político, prejudica o funcionamento da democracia, assim como comprovam pesquisadores da Unicamp. Segundo eles, quando boa parte da população debate opiniões não apoiadas em fatos, a política se perde. Então, como consequência, a democracia é colocada em risco, pois, como cada cidadão alienado segue o ponto de vista que o agrada, sem considerar outros posicionamentos, os debates públicos, que são fulcrais para a democracia, se inutilizam.
Outrossim, órgãos estatísticos, como o IBGE, por exemplo, são afetados com o grande número de mentiras na internet. De acordo com a Agência Brasil, a sociedade está se afogando na quantidade de números compartilhados. Muitas notícias falsas referentes à economia e a questões sociais induzem o brasileiro a acreditar que o IBGE está envolvido. Devido a isso, as opiniões geradas pelos boatos afetam a estatística oficial, pois, no meio de uma confusão, é preciso se contrapor, de certa maneira, a um dado de confiança.
Em frente a todos esses riscos, portanto, medidas devem ser tomadas para solucioná-los. Seguindo os ideais do filósofo historicista Hegel, a consciência plena da sociedade é alcançada quando o Estado abandona os conceitos e passa a atuar efetivamente no país. Assim, cabe aos líderes representativos disponibilizar uma central de esclarecimento, por meio das redes sociais, para que a população possa, de fato, recolher apenas dados verídicos. Além disso, os meios virtuais de comunicação devem exibir alertas de risco em caso de notícias suspeitas, através de algoritmos computacionais, para assim despertar um censo crítico nos usuários. De tal modo, a alienação entre os brasileiros seria menor, fazendo com que o compartilhamento de mentiras e boatos na internet decline e, por fim, haveria o bom funcionamento dos debates públicos e o espalhamento organizado dos dados estatísticos oficiais.