Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 04/04/2020

Na década de 1930, Getúlio Vargas elaborou, juntamente com o exército, o Plano Cohen, um falso artigo relatando um plano comunista para tomar o poder do Brasil. Atualmente, a propagação de notícias falsas com certos interesses está cada vez mais presente, provocando problemas na esfera social. Logo é necessário analisar essa problemática, tendo em vista os danos causados na construção do pensamento individual das pessoas.

A Liberdade de Manifestação do Pensamento é garantida no Artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988. A disseminação de “Fake News” fere esse direito, pois como mostra uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas divulgam falsas notícias, principalmente sobre política. Com isso, a pessoa é manipulada a pensar da forma que a notícia deseja, entregando-a falsas informações que podem mudar sua opinião, sendo privada de exercer seu direito de liberdade de pensamento garantido pela Constituição Federal.

As redes sociais facilitaram a compartilhação de mentiras e também a alta capacidade e velocidade da disseminação. O que é corroborado por uma pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT em inglês) nos Estados Unidos, afirmando que as notícias falsas se espalham 70% mais rápidas que as verdadeiras, alcançando muito mais gente e consequentemente afetando cada vez mais a construção do pensamento individual. Desse modo, fica evidente a necessidade do desenvolvimento do pensamento crítico dos cidadãos no combate as “Fake News”.

Para o filósofo e teórico político Rousseau “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”, mostrando que na teoria todos possuem a liberdade, mas na prática  são privados disso. Portanto, é mister que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal (Poder Legislativo) aprovem o projeto de lei contra as notícias falsas, para que assim haja uma maior fiscalização e punição dos criadores e disseminadores. Além disso, o Governo Federal por meio de parcerias com órgãos associados e ONG’s, promovam campanhas em meios físicos e digitais, alertando a população sobre os riscos do uso das redes sociais como fonte de informações e notícias, incentivar a leitura completa da matéria, não apenas a manchete, e também a busca em várias fontes para conferir a veracidade das informações contidas na notícia. A educação também possui um grande papel no combate às mentiras na internet, sendo assim, é necessário que ocorra mais investimentos por parte do Ministério da Educação (MEC) na educação brasileira, estimulando cada vez mais o pensamento crítico do cidadão. Destarte podemos garantir o direito à liberdade de pensamento e suprir os danos causados pela disseminação de notícias falsas na internet.