Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 05/04/2020
Em 1937 o general Góes Monteiro noticiou a descoberta de um plano que tinha como objetivo derrubar o presidente Getúlio Vargas. Arquitetado por grupos comunistas, o plano Cohen, como ficou conhecido, era um documento que tinha como intuito uma insurreição armada contra o governo, que fez com que Vargas declarasse Estado de guerra e implantasse a ditadura do Estado Novo no Brasil. Anos mais tarde, a legitimidade do documento foi refutada e comprovada como falsa, sendo apenas uma justificativa para ascensão ditatorial de Vargas. Esse foi um dos muitos episódios em que a propagação de notícias falsas gerou transtornos sociais e econômicos. Esse cenário deriva tanto de uma falha educacional, sobretudo nas eras digitais, quanto de uma insuficiência legislativa em face dos propagadores de mentiras. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos com a finalidade de evitar o avanço dessa problemática.
Em primeira análise, é fulcral pontuar que a disseminação de mentiras nas redes sociais, deriva de uma grande lacuna na educação digital. Não há na grade curricular das escolas uma brecha para a discussão sobre a ética na era digital, embora as redes sociais estejam presentes diariamente entre os estudantes e sejam uma fonte de informação para cerca de 23% da população, segundo pesquisa realizada pelo site Buzzfeed. Segundo o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman “as redes sociais são uma armadilha”. Para quem tem pressa de informação, os tons alarmistas das notícias vinculadas são um prato cheio para a propagação de boatos.
Ademais, é imperativo ressaltar que a carência de uma legislação mais efetiva contribui para esse quadro deletério, que endossa o comportamento dos usuários em não averiguar as fontes ou nem mesmo ler a notícia completa antes de compartilhar. Nesse sentido, faltam instrumentos judiciais que protejam a população contra a circulação de falsas notícias e que exerçam fiscalização nos principais meios digitais, relevando o impacto nocivo de tal prática.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço do compartilhamento de mentiras na internet. Dessarte, com o intuito de mitigar a livre circulação das “fake news”, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital por intermédio do Ministério da Educação, que deverá ser revertido na implementação de discussões sobre ética digital nas instituições de ensino, desenvolvendo um pensamento crítico e boa conduta nos estudantes ao navegar pela internet. Além disso, ações conjuntas entre os poderes legislativo e judiciário, visando aperfeiçoar as leis direcionadas a esse tipo de crime poderá diminuir a incidência de mentiras nas redes, agindo de maneira prática para que articulações mentirosas, como o plano Cohen, sejam evitadas.