Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 01/04/2020
“Não há fatos, apenas interpretações”. A frase pertence a Friedrich Nietzsche, filósofo e poeta alemão do século XIX, e ressalta a falta de criticidade da população na absorção de informações, fato esse que repercute na atualidade e não recebe medidas eficazes para sua contenção, prejudicando a sociedade como um todo. Nesse viés, são necessárias mudanças reforçadas promovidas pelo Estado e pela população, com o fito de alterar positivamente esse cenário alarmante.
Primordialmente, é válido analisar o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual, em sua obra intitulada “A distinção”, retrata a ideia de senso comum, uma forma de dominação imposta à sociedade pelas classes soberanas, conspirando para as desigualdades e para a futura alienação do cidadão. Tal afirmativa mostra-se presente nas mídias sociais, em que inúmeros anúncios e publicações retratam ideias falsas da realidade, comprometendo, desse modo, a assimilação de conhecimentos por parte da população. Assim sendo, o cidadão encontra com maior facilidade mentiras e boatos nas mídias, o que acarreta um posicionamento incoerente do indivíduo em diversas situações. Dessa maneira, não só o ideal de segurança na hodiernidade é comprometido, mas também o desenvolvimento social e cultural do organismo.
Ainda é válido ressaltar que, segundo o estudo publicado pela revista Science, cientistas ingleses constataram que as notícias falsas propagam-se mais rapidamente e atingem mais pessoas que as notícias verdadeiras. Logo, a adulteração das informações impede a verossimilhança na contemporaneidade, na qual a população fica presa em uma “bolha” de dúvidas, sem ter a convicção do que é real ou falso. Consequentemente, a falta de atuação do Poder Público ressoa na segurança social ao comprometer a ascensão de uma esfera comunitária repleta de confiança, fato esse que gera atrasos econômicos no meio coletivo. Por conseguinte, esses fatores atuam em fluxo contínuo e contribuem para a ampliação dessa problemática.
Destarte, a colaboração entre o Estado e a sociedade é essencial para solucionar esse entrave. Logo, para que a veracidade de informações seja evidenciada, cabe à Autarquia Federal, vide investimentos do setor midiático, promover campanhas ensinando como a população pode identificar e denunciar as notícias falsas, desse jeito, o povo estaria alerta e atuando de forma positiva na redução desse empecilho. As redes sociais devem, por sua vez, promover maior fiscalização nas suas plataformas de interatividade, portanto, com maior número de profissionais na supervisão das mídias a sociedade sentiria-se mais segura para publicar em meio a rede. Assim, a criticidade do cidadão seria evidenciada pela ampliação dos dados e não pelas interpretações falsas, conforme desejada Nietzsche.