Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 01/04/2020
De acordo com Arnold Toynbee, historiador britânico, “tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”. Não diferente disso, observa-se a evolução da tecnologia, que traz cada vez mais o acesso à informação, graças à internet, porém, esse acesso gera o risco de compartilhar mentiras e boatos no mundo cibernético. Por isso, esse assunto, que tem suas causas relacionadas à avalanche de informações e às redes sociais, entra em debate no país.
Não é mistério para a atual sociedade que as redes sociais são comparáveis ao mito de Narciso, já que os indivíduos enxergam-se através dessas plataformas digitais, semelhante ao modo em que o personagem da mitologia grega viu-se às margens do rio. Afinal, o ser humano mantém a vontade de ser visto e compreendido, sobretudo causado pela vontade de ser aceito pela sociedade. Com isso, é importante destacar que as redes sociais, quando relacionadas à questão da informação, têm como um dos aspectos negativos a geração de comportamento compulsivo por causa da constante necessidade de compartilhamento de notícias e informações, sem nenhum comprometimento em checar a veracidade da fonte, que resulta como consequência o fenômeno das “fake news”.
Outrossim, embora a internet tenha proporcionado uma enorme facilidade à chegada de notícias, essa “avalanche” de informações gera desfoco, em que, mesmo que a informação chegue, não há um aprofundamento do conhecimento ali apresentado, pois não existe o interesse das pessoas em compreender mais sobre determinado assunto, mantendo apenas a superficialidade. Segundo o escritor inglês Charles Caleb Colton, “a má informação é mais desesperadora do que a não-informação”. Dessa maneira, para que a capacidade de reflexão e entendimento acerca do assunto não sejam restringidos, é preciso que antes de haver o compartilhamento de informações, o povo passe a ter mais responsabilidade sobre o que está sendo compartilhado.
Portanto, para que este conflito seja solucionado, é preciso que, primeiramente, o Governo, aliado aos noticiários, por meio das mídias sociais, produzam e divulguem campanhas de incentivo à leitura aprofundada dos assuntos expostos na internet, a fim de estimular o senso crítico dos cidadãos. Ademais, secundariamente, as empresas responsáveis pelas redes sociais devem melhorar as medidas fiscalizadoras já existentes, como por exemplo, através de mais checagens de posts sobre o que está circulando, para acabar de vez com a propagação de notícias falsas. Afinal, como Foucault afirmava, “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação.”