Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 09/04/2020

Na Roma Antiga, os governantes reconheciam a importância da informação no favorecimento de suas próprias imagens e, dessa forma, adaptavam-nas de acordo com suas necessidades políticas, sem depender da veracidade dos fatos. Esse ato de proliferar notícias falsas reflete e está em demasia no mundo contemporâneo, em vista do acesso à internet e redes sociais juntamente com o direito de liberdade de expressão. A proporção do compartilhamento de mentiras pode ser notada desde à interferência na política até à desconsideração da ciência, devido à necessidade das pessoas de legitimar um ponto de vista mesmo que através de mentiras.

Primeiramente, é necessário ressaltar que a legitimação de inverdades é consequência da falta de pensamento crítico. A mídia se aproveita dessa situação de incapacidade de análise para a promoção de pessoas e ideologias, visto que, segundo o Instituto Ipsos, 86% dos internautas já acreditaram em “fake news”. No Brasil, é possível exemplificar essa conjuntura com o fato de que a eleição de Jair Bolsonaro para presidente foi auxiliada com notícias falsas, como o “kit gay” sendo distribuído para crianças e que seu adversário poderia legalizar a pedofilia.

Em segundo plano, cabe citar que até mesmo a ciência está sendo ameaçada pela proliferação  de fatos irreais. Durante o período imperial no Brasil, a Revolta da Vacina aconteceu devido à crença de que a vacina da varíola, em vez de trazer a imunização, desencadeava a doença e levava à morte. Entretanto, é possível compreender essa situação devido à falta de conhecimento científico desse período. Já na contemporaneidade a ciência está presente de forma significativa, contudo, essa muitas vezes é negligenciada em movimentos que aprovam inverdades, como o “terraplanista”, o qual já abriga 11 milhões de brasileiros de acordo com o Datafolha.

Sucintamente, a veiculação de falsas informações pode trazer danos individuais, como também pode alienar grandes massas com a difusão de ideologias através de mentiras. Portanto, urge que as próprias redes sociais insiram em suas políticas de uso a educação de seus internautas sobre como analisar notícias e diferenciar boatos de verdades, para que os mesmos atentem-se com criticidade aquilo que publicam e aquilo que chega até eles. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo intensifique as leis sobre esse problema, visando sua grande proporção e punindo severamente os difusores de fake news. Assim, a integridade de diversos setores sociais e dos próprios cidadãos será protegida.