Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 18/04/2020

Segundo recente pesquisa da Avaaz, importante plataforma online de mobilização político-social, mais de 60% dos brasileiros já acreditaram em alguma notícia falsa. Esse índice foi alimentado, em grande parte, durante a última campanha de eleição presidencial, período em que uma remessa extenuante de inverdades foi disseminada nas redes sociais e momento em que o termo “fake news” foi popularizado no Brasil, referindo-se tanto às informações inverídicas quanto àquelas desatualizadas.

Embora essa popularização seja atual, o uso de mentiras no formato jornalístico a fim de manipular dados e, consequentemente, a opinião pública é recorrente na história de nossa nação. Como exemplo disso, temos a ampla divulgação do chamado Plano Cohen, que ocorreu durante o governo de Getúlio Vargas. Esse plano seria a evidência de que um violento golpe de Estado estava sendo projetado por comunistas, e assim Vargas justificava a implantação de seu forte Estado Novo e iniciava sua ditadura. Percebemos, então, a magnitude da influência das notícias falsas.

Diante do poder das “fake news” e de sua propagação no país, podemos rememorar o que disse o sociólogo Manuel Castells: “Um país educado co internet progride. Um país sem educação utiliza a internet para fazer estupidez”. Nesse sentido, associamos a criação e o compartilhamento de notícias falsas à “estupidez” que pode levar a população a conclusões errôneas. Também, podemos pensar na educação como principal meio de fomentar a leitura e de aguçar o senso crítico, combinação que incita os indivíduos a procurar diversas fontes e a refletir sobre a veracidade de determinadas manchetes.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação promova uma modernização da grade curricular dos estudantes brasileiros, no intuito de educá-los digitalmente. Isso se dará através da inclusão de aulas sobre o meio tecnológico e as responsabilidades que ele implica. Além disso, o investimento na melhoria da educação pública em geral é urgente para o estímulo à leitura e à análise das situações mediante a racionalidade.