Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 13/04/2020

O abra “Modernidade Líquida” do sociólogo polonês Bauman, discorre sobre quão efêmera e fluida é a sociedade imediatista. Essa nova dinâmica observada nas relações sociais pode ser atribuída a revolução técnico-científica-informacional, que contribuiu para a consolidação da globalização, principalmente por meio do advento da internet e das redes sociais. Nesse contexto, devido a rapidez com que as informações circulam, muitos indivíduos têm feito do mundo virtual um instrumento de disseminação de boatos e mentiras, o que pode trazer sérias consequências para a sociedade.

Primeiramente, é de suma importância ressaltar que na “Era da pós-verdade” mentiras confortáveis suplantam verdades inconvenientes. Isso porque, no âmbito virtual, os usuários movidos pelo desconhecimento ou má intenção, tendem a entrar em contato e compartilhar conteúdos que estejam em conformidade com seus pontos de vista, independentemente da veracidade dos fatos. Tal comportamento fomenta um cenário de intolerância e ódio nas relações sociais que ultrapassam o ambiente virtual, já que o sujeito nega o que destoa de sua realidade e corrobora para a disseminação de informações falsas.

Ademais, no meio cibernético tem-se a falsa impressão de que a internet é uma terra sem lei, o que contribui para o surgimento de “profissionais” especializados em atacar e danificar, principalmente, a reputação de figuras públicas, por meio da utilização de perfis falsos em redes sociais e de robôs. As mensagens difundidas na maioria das vezes possuem cunho calunioso, racista, misógino, homofóbico ou de estímulo a violência, configurando crime e passível de punição. Por isso, essa sensação de impunidade não deve imperar, e as pessoas necessitam ter em mente que o instrumento jurídico é um importante aliado na garantia de seus direitos.

Desse modo, infere-se que a veiculação de boatos e mentiras na internet pode impactar negativamente na sociedade. Portanto, para inibir a propagação de notícias falsas é imprescindível construir um corpo social mais crítico, capaz de apurar e denunciar os autores de inverdades. Para isso, o Governo Federal por meio do Ministério da Educação e Ministério da Justiça, juntamente com a sociedade civil, devem investir no desenvolvimento de campanhas publicitárias que serão divulgadas nas grandes mídias e redes sociais, bem como elaborar palestras por intermédio das escolas com psicólogos, médicos, filósofos e juristas. Essas medidas terão como finalidade conscientizar a população sobre os riscos de divulgar informações não verídicas para a saúde mental e física, e também acerca das consequências sociais e jurídicas de tais atos. Assim, será possível formar uma sociedade mais integrada e aberta ao diálogo, pois como disse Paulo Freire “O diálogo cria base para colaboração.”