Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 06/04/2020
Durante o século XVIII, período da Revolução Francesa, jornais circulavam com propagandas políticas deliberadamente falsas e a consequência das difamações ocasionou a morte de Maria Antonieta. Na atual conjuntura o cenário não é diferente, haja vista que a imprensa, mídia e meios de comunicação social como as redes sociais propagam informações duvidosas e o público alvo compartilha tais informações sem verificar a veracidade dos fatos. Nesse contexto, denota-se que o perigo da disseminação de mentiras na internet configura um grave problema mundial seja por abalar o cenário político seja por afetar uma sociedade desinformada.
Em primeiro plano, publicar boatos e mentiras no meio virtual acarreta consequências desastrosas a conjuntura política. O Plano Cohen foi um Golpe de Estado realizado por Getúlio Vargas constituído por criar uma suposta conspiração comunista da União Soviética a fim de que as eleições fossem suspensas para Getúlio Vargas permanecer no Poder. De forma análoga, o plano de Vargas é aplicado na sociedade atual haja vista que durante o período eleitoral inúmeras notícias foram divulgadas com o intuito de disseminar ódio e influenciar a votação dos eleitores. Nesse sentido, é indubitável a fraude eleitoral e a alienação do sujeito diante o excesso de informações midiáticas ao que tange à política.
Além disso, publicitar notícias falsas na internet afeta aspectos sociais e culturais de uma sociedade. Na alegoria de Platão: “O mito da caverna”, Platão descreve os homens aprisionados na caverna como seres ignorantes pois estavam imobilizados e a única verdade sob a ótica dos homens era aquilo que eles enxergavam da sua vivência na caverna. O pensamento de Platão faz uma análise crítica a importância do conhecimento para a investigação e não aceitar a sociedade moldar o indivíduo. Não se vê, entretanto, tal alegoria sendo colocada em prática pois a sociedade hodierna ainda segue um padrão estamental, embora haja possibilidade de imobilização social, o Estado negligencia o acesso à educação para a maioria majoritária. Desse modo, o ser humano desinformado é incapaz de ter a dúvida metódica para analisar a veracidade da informação.
Infere-se, portanto, que o perigo da divulgação falsa é uma problemática por razões político-estruturais e socioculturais. Nessa perspectiva, o Poder Legislativo em conjunto com a agência de checagem deve elaborar políticas públicas de fiscalização por meio da sinalização aos usuários de que a informação não procede a fim de minimizar o empasse pois, somente assim, haverá separação do que é verossímil e do que não é. Ademais, o Ministério da Educação poderia criar cartilhas didático-pedagógicas por intermédio de instituições educacionais com o fito de orientar os estudantes pois, somente assim, realizar-se-á, de fato, com a máxima de Platão: Só a luz liberta.